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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Casa da Boneca fechou as portas

A Casa da Boneca, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Viseu, fechou as portas, não só devido à crise, mas também pelo cansaço dos proprietários.

Não deverá haver viseense que não conheça a Casa da Boneca. Situada há mais de 130 anos na Praça D. Duarte, no Centro Histórico, trata-se de uma das casas comerciais mais antigas da cidade e onde ao longo de várias décadas se vendeu todo o tipo de brinquedos. Na memória de muitos estão os dias de época de Natal em que era quase impossível andar dentro da loja devido ao elevado número de clientes. Não deverá haver criança em Viseu que não tenha recebido uma prenda da Casa da Boneca, tendo em conta que alturas houve em que os actuais proprietários assinalavam o Dia da Criança com a oferta de uma boneca ou de um peluche a cada aluno das escolas do concelho.
No entanto, a idade dos comerciantes e a mudança de hábitos nas compras ditaram o fim do estabelecimento. "Tudo o que é bom acaba", explica Maria Odete Nascimento enquanto olha para as prateleiras vazias, onde até há três anos se amontoavam brinquedos. O marido, João Nascimento, colocou na montra um cartaz em que agradece todo o carinho que receberam ao longo dos anos por parte dos clientes, que em muitos casos se transformaram em amigos. "Achámos que está na altura de dar descanso à cabeça e de deixar de pensar todos os dias no negócio, que também está cada vez mais difícil", explica João Nascimento ao mesmo tempo que vai percorrendo o interior da loja, onde já só há uma caixa com brinquedos "para oferecer".
"Chegava a haver alturas em que era quase impossível andar dentro da loja", sublinha Maria Odete Nascimento, ao mesmo tempo que mostra fotografias dos tempos em que era preciso a família toda a ajudar, porque não havia mãos a medir, tantas eram as solicitações, numa altura em que não havia hipermercados nem centros comerciais. "Lembro-me de um Dia da Criança em que foi necessário cortar o trânsito, para que as jovens pudessem andar à vontade na Praça", diz a comerciante ao mesmo tempo que mostra fotografias de concursos de Lego, realizados na loja. Ao longo das mais de três décadas, o casal assistiu a muitas mudanças, a começar pelo nome da Praça D. Duarte, que se chamava Praça de Camões. Viram os comerciantes da feira semanal trocarem aquela Praça pelo recinto junto ao rio Pavia, assistiram às obras de requalificação de todo o Centro Histórico, testemunharam a abertura e o encerramento de muitas lojas, e também à mudança dos hábitos de consumo. "Até eu preferia fazer compras num centro comercial, onde os miúdos podem andar à vontade, a temperatura é sempre boa e o estacionamento não está longe", admite João Nascimento.
No dia 5 de Janeiro, Paulo de Carvalho vai estar em Viseu para actuar no Concerto de Reis, com a Filarmonia das Beiras. O cantor deverá passar também pela Praça D. Duarte já que faz questão de visitar o casal de comerciantes sempre que está na cidade.
Mas este é apenas um dos "clientes" famosos que passaram pela Casa da Boneca. Foi das mãos de João e Maria Odete Nascimento que o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, na altura em campanha, recebeu um coelho com uma cenoura. "Ele percebeu logo que a brincadeira se devia à cor do cabelo dele", lembra Maria Odete Nascimento, ao mesmo tempo que recorda passagens pela loja de Mário Soares, D. Duarte Pio e o antigo ministro Mota Pinto, entre outros. A possibilidade de um dos cinco filhos tomar conta do negócio está fora de questão, porque cada um tem a sua vida. No entanto, esperam que o próximo proprietário da loja mantenha, pelo menos o nome. "A Casa da Boneca foi inicialmente uma loja de tecidos, mas tinha uma boneca na montra, daí o nome. A tradição poderá ser mantida", acredita João Nascimento.

in Diário de Viseu (03-01-2011)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cápsula do tempo

CÁPSULA DO TEMPO
Abertura a 8 de Agosto, na Empório

MANUAL DE UTILIZAÇÃO
1 – A Projecto Património – EMPÓRIO e a Associação Cultural Amarelo Silvestre, associados na iniciativa “A_gosto da Cidade”, convidam a que participe…
2 – Seleccione/Crie um documento de/em/sobre a Viseu actual: um menu de restaurante, um bilhete de um espectáculo, um panfleto; tire uma fotografia (à casa; à família; ao carro; à secretária de trabalho; ao café do costume; ás ruas que percorre; ao animal de estimação; etc.), faça um desenho, escreva uma carta, elabore uma lista de compras. Em suma, alinhave o que o defina neste 2009 e passe-o a papel.
3 – Inscreva uma legenda no verso: quem é, e o que diz o documento de si. O porquê daquela referência.
4 – Dirija-se à EMPÓRIO (R. Silva Gaio nº29 – Viseu) entre os dias 8 e 29 de Agosto de 2009, e deposite no baú das nossas memórias de Hoje, a sua visão documentada.
5 – Espere 5 anos (até 2014) para maturação. Nessa altura a cápsula será reaberta e o conteúdo tornado público através de uma plataforma on-line.
6 – Seja Viseu também; o seu e o dos seus vizinhos.
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Cápsula do tempo guarda "memórias" dos viseenses durante cinco anos
Tire uma fotografia, por exemplo, aos seus passos na rua que todos os dias percorre. Coloque a imagem numa cápsula do tempo e espere cinco anos. Depois abra a cápsula. Que memórias vai encontrar, que leitura vai fazer daquele preciso momento e daquele espaço cinco anos depois? Este é o desafio que a Projecto Património-Empório e a Associação Cultural Amarelo Silvestre lançam aos viseenses.
A partir de sábado e até dia 29 deste mês, as pessoas são convidadas a depositar no "baú das memórias" - que está na Empório - documentos de ou sobre Viseu actual. Pode ser um menu de restaurante, um bilhete de espectáculo, um panfleto, uma fotografia. Pode também ser um desenho, uma carta ou até mesmo uma lista de compras. Deve inscrever uma legenda sobre quem é e o que diz o documento de si.
Deixe o seu objecto na cápsula do tempo para "maturação".
Cinco anos depois, o baú será aberto e o conteúdo tornado público através de uma plataforma on-line.
"Esta é uma iniciativa que pretende salvaguardar a existência de um determinado momento", explicou Rui Macário, da Empório. "Era uma ideia que andávamos a pensar há já algum tempo: ter a memória do quotidiano", disse, sublinhando que a iniciativa se justifica porque "as pequenas coisas estão-se a perder".
"Queremos chamar a atenção para estas pequenas coisas, estes pequenos nadas que podem construir a memória", sublinhou.
Rui Macário, formado em História da Arte, pretende que este arquivo agora recolhido durante o mês de Agosto seja "ressuscitado" em 2014. "Em termos pessoais, preferia que esta primeira edição contivesse registos mais descritivos dos espaços da cidade", confessou. Como a iniciativa é para ser feita todos os anos, na próxima edição gostaria que fosse "mais dedicada às vivências".
A cápsula do tempo é "uma forma de renovar a cidade através dos registos da memória" resumiu, por seu lado, Fernando Giestas, da Associação Amarelo Silvestre.
A Gosto da Cidade
A cápsula do tempo é uma das iniciativas que está inserida numa programação mais alargada que a Amarelo Silvestre e a Empório têm programada para este mês. Intitulada A_Gosto da Cidade, as propostas pretendem levar os viseenses, e não só, a reflectir sobre Viseu. "Queremos pôr a cidade a reflectir, a falar sobre ela própria e que nós falemos dela, percorrendo-a também", explicou Fernando Giestas.
É nesse sentido que vão ser realizadas iniciativas (dia 29) como o piquenique no Parque Aquilino Ribeiro. "Vamos usufruir dos espaços da cidade e este é um deles. O verde conta muitas histórias que vamos descobrir", exemplificou.Vai ainda haver percursos a pé e que partem à descoberta de espaços públicos e da "forma como nos relacionamos com eles".
Assim, vai ser com a caminhada que vai partir do Parque, até ao Rossio, com passagem pela Rua da Paz, Rua dos Andrades, 4 Esquinas, Rua Formosa, Mercado 2 de Maio, Rua do Comércio e finalmente Praça D. Duarte. Aqui encontra-se a Casa da Boneca, uma das mais antigas do centro histórico. "Esta é uma casa com 50 anos e que tem muitas histórias. Os proprietários são eles próprios actores privilegiados da cidade e têm muito a dizer sobre ela", contou Fernando Giestas.
A caminhada irá depois continuar até à Empório, na Rua Silva Gaio, onde Vítor Tavares irá conversar sobre "não-lugares". "Todas estas actividades estão direccionadas para a partilha e para a discussão com quem faz e vê a cidade", concluiu Fernando Giestas.
À noite no Lugardo Capitão
A noite do dia 29 vai continuar no Lugar do Capitão com a projecção multimédia das imagens de Não-Lugares de Vítor Tavares e que actualmente estão expostas no centro Português de Fotografia, no Porto. Ainda no Lugar do Capitão, e entre os dias 16 e 29, podem ser apreciadas instalações de José Crúzio. "Soundscape "from invisible cities" é, por exemplo, um dos projectos sonoros do artista que reflecte uma versão áudio de um quotidiano urbano.
texto de Sandra Rodrigues in Jornal Diário de Viseu de 05-08-2009

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Casa da Boneca

Proprietários querem trespassar Casa da Boneca

A Casa da Boneca, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Viseu, vai mudar de dono. Após décadas a vender principalmente brinquedos, além de algum artesanato e artigos escolares, os actuais proprietários, João e Odete Nascimento, decidiram que está na altura de entregar os destinos da loja a outra pessoa. "
A decisão de querer trespassar a Casa da Boneca deve-se às nossas idades. Achámos que está na altura de dar descanso à cabeça e de deixar de pensar todos os dias no negócio, que também está cada vez mais difícil", explicou João Nascimento ao nosso Jornal.
Passando o olhar pelas prateleiras com bonecas, peluches, carros telecomandados e outros artigos que levaram quase todos os viseenses a entrar pelo menos uma vez na Casa da Boneca, seja como criança ou pais de filhos, os actuais donos recordaram os tempos em que não havia hipermercados e quase toda a gente comprava as prendas de Natal e aniversário na sua loja.

"Chegava a haver alturas em que era quase impossível andar dentro da loja", sublinhou Odete Nascimento, acrescentando que durante anos entregavam, no Dia da Criança, a todos os alunos das escolas de Viseu uma prenda o que resultava numa grande confusão não só dentro do estabelecimento, mas também no seu exterior, na Praça conhecida agora como sendo de D. Duarte, embora muita gente a tenha conhecido com o nome de Camões.

Mudanças
A mudança do nome do local onde há 130 anos funciona a Casa da Boneca foi só uma das muitas alterações a que o casal assistiu. Ao longo dos tempos, viram os comerciantes da feira semanal trocarem aquela Praça pelo recinto junto ao rio Pavia, assistiram às obras de requalificação de todo o Centro Histórico, testemunharam a abertura e o encerramento de muitas lojas, e também a alterações dos hábitos de consumo.
"Hoje em dia não são os pais que compram os brinquedos, são os filhos que escolhem.
Os artigos têm de ser todos daquelas séries de desenhos animados que passam na televisão e no que diz respeito a esses não conseguimos concorrer com as grandes superfícies, que apresentam preços mais apelativos", explicou João Nascimento, sublinhando que até o negócio com os turistas e emigrantes tem vindo a baixar.
"Ficam as saudades"
"Tudo vai acabando, ficam as saudades", foi com esta frase que Odete Nascimento resumiu décadas de memórias, lembrando que trabalha há quase 60 anos. "Ando nisto desde os meus 14 anos. É muita luta", sublinhou.
Questionada sobre a possibilidade de um dos cinco filhos tomar conta do negócio, a proprietária adiantou que nenhum deles está interessado e nem leva a mal.
"Quando eram mais novos ajudavam no que podiam, mas agora já têm as suas vidas", justificou.João Nascimento acredita que alguém irá continuar e nem precisa de ser necessariamente no mesmo ramo.
"A Casa da Boneca foi inicialmente uma loja de tecidos, mas tinha uma boneca na montra, daí o nome.
A tradição poderá ser mantida", finalizou.

"Clientes" famosos

Pela Casa da Boneca passaram ao longo dos anos diversos "clientes" famosos. Foi das mãos de João e Odete Nascimento que o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, na altura em campanha, recebeu um coelho com uma cenoura.
"Ele percebeu logo que a brincadeira se devia à cor do cabelo dele", referiu Odete Nascimento ao nosso Jornal, recordando ainda as passagens pela loja de Mário Soares, D. Duarte Pio, o antigo ministro Mota Pinto e o cantor Paulo de Carvalho, que faz questão de visitar o casal sempre que está em Viseu.
José Fonseca in Diário Regional de Viseu de 12 de Setembro de 2006
www.diarioregional.pt



sexta-feira, 14 de julho de 2006