quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fontelo

Considerada por muitos um local calmo e tranquilo, a mata do Fontelo tem sido, ultimamente, palco de actos de vandalismo. O mais recente aconteceu na madrugada da passada segunda-feira, quando pedras de grandes dimensões foram arremessadas contra o único café do local.

Apesar de não ter o hábito de frequentar muitas vezes o Fontelo, Amélia Cruz refere que apenas o faz para passear com os filhos e ver uma das aves que atrai mais pessoas à mata - os pavões. "Opto por zonas mais abertas e sempre nas horas em que há mais movimento. A partir das 20h00, em tempo de Verão, já teria algum receio cá vir", adianta, sublinhando: "sempre que cá venho, nunca venho sozinha".

A mesma opinião é partilhada também por Helena Oliveira, que adianta com convicção: "sozinha não ponho cá os pés". Helena costuma deslocar-se à mata amiúdes vezes, uma vez que há no local um parque infantil, onde tem por hábito levar os seus filhos. Mas também opta pelas horas em que o local é mais movimentado. "Costumo vir sempre de manhã cedo", esclarece.

Cátia Almeida adora a mata, por ser um local onde pode "fazer exercício, passear e ler". Explica que, ultimamente, anda mais vezes acompanhada. "Não tenho receio, mas agora com os últimos acontecimentos, quase nunca me deixam vir sozinha", conta.

A densa vegetação é um dos aspectos que mais assusta quem frequenta o Fontelo. "Como isto tem vegetação, é fácil atacar as pessoas, pois há sítios muito escondidos", conclui Cátia Almeida, uma opinião partilhada também por Helena Oliveira que deixa um reparo: "deviam limpar a mata e fazer mais descampados".

O sossego, que ajuda a aliviar o stress, e o ar fresco, são os motivos que levam Alfredo Cavaleiro até este 'pulmão verde' da cidade. Mas apesar de ainda o frequentar, Alfredo recorda com saudade tempos antigos. "Antes, deslocava-me cá muito mais vezes, numa altura em que ainda não havia vandalismo", enfatiza. Hoje em dia, não por medo, mas pelo facto de gostar de uma boa companhia, explica que "são mais as vezes em que venho acompanhado do que sozinho".



Mais policiamento

"Deviam tomar mais medidas e colocar alguns polícias a vigiar", sugere Amélia Cruz, que apenas os vê por ali quando há jogos de futebol". Acrescenta que "podiam aproveitar melhor o espaço, pois como mais movimento, o local seria menos perigoso".

Também Helena Oliveira acredita que algumas medidas não fariam mal nenhum, entre as quais "vedar devidamente a mata e colocar algum policiamento".

Esta frequentadora do espaço sugere ainda mais actividades, nomeadamente para idosos, enquanto Alfredo Cavaleiro pensa que a reabertura do parque de campismo, com a devida vigia, traria mais dinamismo à mata e acabaria por favorecer também o sector turístico.
 
Texto de Cláudia Almeida in Jornal Diário de Viseu de 08-07-2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Praça" deve retornar ao Mercado 2 de Maio



O presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu, Gualter Mirandez, quer que o Mercado 2 de Maio retome a sua função original, voltando a acolher a venda de peixe, fruta e legumes, entre outros produtos.

“Seria mais um meio para trazermos com uma regularidade quase diária muitas pessoas ao centro histórico”, justificou.

Gualter Mirandez contou que esta “é uma ideia que está a ser lançada em Espanha há algum tempo” e já foi colocada em prática, por exemplo, em Ourense e Barcelona, lembrando que, no caso de Viseu, “nem seria uma grande novidade”.

“Ainda há cerca de 10 anos tínhamos o mercado no centro da cidade que funcionava como catalisador de promoção de negócios, não só para os comerciantes que estavam no próprio mercado, mas para toda a zona envolvente”, frisou.

Com a requalificação do Mercado 2 de Maio, que ficou concluída em 2002, na sequência de um projecto do arquitecto Siza Vieira, este passou a ser um espaço cultural e de lazer.

O mercado propriamente dito passou para outro edifício do centro da cidade e no espaço requalificado (situado junto à Rua Formosa e à Rua do Comércio, a poucos metros do Rossio) realizam-se agora feiras e espectáculos e existem esplanadas que se enchem de gente nas noites de Verão.

No entanto, na opinião de Gualter Mirandez, ainda que o actual mercado também se situe no centro da cidade, “não funcionou como catalisador, devido às deficiências que tem”.

“Os próprios lojistas e comerciantes que lá estão queixam-se. Não funcionou como catalisador, pelo contrário, dispersou ainda mais as pessoas, que passaram a ir fazer as suas compras a outros lados”, considerou.
Por outro lado, o actual conceito do Mercado 2 de Maio “também não funcionou nada bem, pelo contrário”, e, ainda que tenha movimento durante a noite, o que preocupa os comerciantes do centro histórico é “o que acontece durante o dia”, acrescentou.

Além da venda de fruta, legumes, peixe e de outros produtos frescos do dia a dia, considera que no Mercado 2 de Maio poderiam também surgir “pequenos restaurantes, tasquinhas”, reinventando de uma forma inovadora o que existia no passado.

Quanto ao edifício do mercado actual, defende que “seria bom para aparcamento a preços convidativos.

Sé Catedral de Viseu

A Sé ou Catedral de Viseu começou a ganhar forma no século XII, em pleno reinado de D. Afonso Henriques, impulsionada pelo bispo D. Odório. Inicia-se então a construção de uma catedral no estilo românico. Apesar de restar muito pouco desta edificação, alguns autores classificaram um capitel, vegetalista, datável dos finais do século XII, bem como um portal lateral (a Sul) do século seguinte — que dá hoje acesso ao claustro — como sendo elementos prováveis do edifício original.
O local onde foi implantada a Sé de Viseu, na Baixa Idade Média, foi alvo de escavações conduzidas por Inês Vaz, junto ao Paço episcopal, que revelariam um primitivo templo, aparentemente de tripla ábside, datável da época suevo-visigótica. No processo da Reconquista, terão existido neste lugar dois edifícios episcopais, destacando-se o do século X, altura em que Viseu era considerada a capital do vasto território entre Mondego-e-Douro.

No reinado de D. Dinis, tendo a cidade atingido um período áureo, procede-se a uma renovação profunda do edifício, ainda no século XIII, sob a alçada do bispo D. Egas. No entanto, a Crise de 1383-1385 foi nefasta para as obras, tendo estas estarrecido até depois da crise. Então, sob a alçada do novo bispo D. João Vicente, as obras durariam ainda por muitos anos.
O gótico da Sé viseense seguiu as linhas originais, com um corpo de três naves e três tramos, aproximando-se assim de um estilo românico, mais do que gótico, tipicamente espaçoso. Outra peculiaridade inerente será o facto de que a monumentalidade desta catedral tenha sido obtida pela robustez das suas paredes-muralhas.

o período manuelino, a Sé viseense viria a absorver intervenções de grande qualidade estética, como as típicas abóbadas das naves. Esta campanha foi obra do bispo D. Diogo Ortiz de Vilhegas e durou uma década apenas, sob a alçada do arquitecto João de Castilho.

Também a acção de D. Miguel da Silva, protector do célebre Grão Vasco e introdutor do Renascimento em Portugal, seria determinante: deve-se a este prelado o claustro renascentista.

Já em plena Idade Moderna, sucederam-se novas obras na Sé, concluídas rapidamente. Em 1635 ruiu uma das torres medievais, arrastando consigo o portal manuelino. A reconstrução da fachada foi bastante limitada, influenciada por uma considerável contenção de despesas.

O barroco trouxe a este edifício ricas obras de talha, azulejo e pintura. O órgão, retábulo-mor (de concepção atribuída a Santos Pacheco), os painéis em azulejo do claustro e a casa do cabido são exemplos perfeitos, que revelam como esta Sé de Viseu se conseguiu manter actualizada durante as correntes estéticas dominantes do século XVIII.

Localização

Situada no Adro da Sé - Viseu.

Interesse turístico

A Sé é uma das construções mais antigas de Viseu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vota no Tiago Nascimento

Vamos votar no Tiago Nascimento para ir a Miami ver os U2 em:
 
O Júri da RFM e da Nortravel escolheram as 5 melhores reportagens fictícias do concerto dos U2 em Miami. Ajuda-os a escolher o novo repórter RFM que irá a Miami ver os U2 ao vivo, de 6 a 11 de Julho. Vote no Tiago Nascimento.

Balcão da CM Viseu na Loja do Cidadão vai para Centro Histórico

O executivo camarário de Viseu aprovou por unanimidade a transferência do balcão de atendimento que a autarquia tem na Loja do Cidadão para o centro histórico da cidade, anunciou ontem o presidente da edilidade, Fernando Ruas.

De acordo com a agência Lusa, a deliberação, que foi tomada na reunião da passada sexta feira, já era esperada, depois de, no início do ano, o presidente da Agência para a Modernização Administrativa ter garantido não haver qualquer decisão da tutela relativamente à deslocalização da Loja do Cidadão da Quinta das Mesuras para o centro histórico, como defendem a autarquia, os comerciantes e um movimento de cidadãos.

“Só vamos aguardar o período legal a que estamos obrigados e depois vamos fazer de imediato a transferência do nosso balcão”, afirmou Fernando Ruas à agência Lusa.

O balcão da câmara municipal passará para o edifício do espaço intergeracional do centro histórico, que necessita de pequenos arranjos mas que, na opinião do autarca, “ficará ainda com melhores condições” do que tinha na Loja do Cidadão.

“Tenho a garantia de que os nossos conterrâneos ficam melhor servidos”, frisou, congratulando-se por a medida ir ainda permitir poupar alguns milhares de euros por ano.

“Nós gastamos mais de 60 mil euros por ano com a Loja do Cidadão”, com renda e funcionários, frisou, acrescentando que, pelo menos, poderá poupar o valor da renda.

No que respeita aos funcionários, o balcão da Loja do Cidadão tem três, que Fernando Ruas pensa não serem todos necessários.

Autarquia, comerciantes e um movimento de cidadãos defendem há mais de um ano a deslocalização da Loja do Cidadão para o centro histórico de Viseu, como forma de o revitalizar.

O presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu, Gualter Mirandez, e Fernando Ruas chegaram mesmo a reunir com membros do Governo para abordar esta questão, tendo-se o autarca comprometido a ser a entidade facilitadora num negócio com os bombeiros voluntários que permitiria a transferência da Loja do Cidadão para um edifício que estes têm no centro histórico, mas que nunca se concretizou.

terça-feira, 18 de maio de 2010

“Os Barões da Sé” reencontram-se na Fonte das Bicas

Viseu - Grupo de amigos reúne-se há décadas

Um grupo de amigos que nasceu, viveu e brincou na orla da Sé de Viseu reúne-se há décadas para recordar velhos tempos.

Ao chegarem à Fonte das Bicas, ao lado da Igreja da Misericórdia, em Viseu, à hora marcada do encontro é vê-los trocar abraços e sorrisos. Encontram-se todos os anos no mesmo local e convivem como se fossem os miúdos de outrora, que povoaram com gritos, brincadeiras e traquinices o perímetro de mais ou menos cem metros em volta da Sé de Viseu.

São hoje “Os Barões da Sé” e deram o nome ao grupo há algumas décadas, embora se tenham constituído oficialmente há 15 anos. São naturais de Viseu ou vieram viver para as imediações da Sé em muito novos. Têm hoje entre os 30 e 50 anos de idade e trabalham nos mais variados ramos de actividade.

A vida fê-los crescer e aprender e muitos já não habitam na cidade de Viriato. Espalharam-se pelos mais variados cantos do país e até do mundo, mas teimam em encontrar-se todos os anos.

E perto da Sé recordam os tempos de criança. Desde os jogos com “caricas” nas escadinhas que atravessavam o pátio dos Casimiros, uma antiga família de toureiros de Viseu, até ao jogo do “pisso” (a “malha”) no mesmo local, vários eram os entretenimentos que organizavam. E havia ainda o “casino”, um local nas traseiras da fonte das Bicas, onde se empoleiravam e escondiam para jogar “lerpa” com alguns tostões que iam amealhando.

Entre “Os Barões da Sé” que este ano se encontraram em Viseu, destaque para Jorge “Deimais” Viegas, um emigrante na Austrália com 48 anos de idade. Este professor de inglês numa escola privada de Melbourne diz que não perde um encontro anual do grupo, sempre que pode vir a Portugal.

Com histórias e mais histórias lá seguiram todos para o restaurante “O Cortiço”, também próximo da Sé, onde teimam em jantar. Este ano apareceram 35 “Barões” no encontro.

José Lorena in Jornal As Beiras de 18 de Maio de 2010