sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Carlos Lopes

CARLOS Alberto de Sousa LOPES
Nascido em Vildemoinhos, Viseu, a 18 de Fevereiro de 1947 foi um atleta português; um dos melhores da sua geração e uma referência mundial do atletismo de longa distância. Lopes sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de estrada e no corta-mato (cross).

Origens modestas em Viseu

A família Lopes era modesta. Carlos começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda não tinha onze anos, para ajudar a sustentar a casa de família. Mais tarde, foi empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Enquanto adolescente, Lopes ambicionava jogar futebol no Lusitano de Vildemoinhos, o clube da sua aldeia. O clube rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso. Numa correria com amigos, durante a noite, ao voltar de um baile (correndo em parte para afastar o medo que o vento uivante lhes fazia), Carlos Lopes foi o primeiro, batendo um grupo de rapazes da sua idade que treinavam regularmente e já se dedicavam ao atletismo. Foi nesse grupo de adolescentes que nasceu a ideia de criar um núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos.

A primeira prova oficial de Lopes foi numa corrida de São Silvestre; tinha 16 anos. Lopes ficou em segundo lugar, pese embora a presença de corredores bem mais experientes. Pouco tempo depois, ganhou o campeonato distrital de Viseu de crosse, e quase de seguida foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para juniores. Essa classificação, levou-o pela primeira vez ao Cross das Nações, em Rabat, Marrocos. Lopes foi o melhor português, em 25º lugar. Lopes tinha então 17 anos; atestando a sua origem modeta, foi nessa ocasião que Lopes viu pela primeira vez o mar.

Passagem para o Sporting

Em 1967, Carlos Lopes foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal, de Lisboa. A ida para Lisboa, deveu-se tanto a razões desportivas, como à promessa de um melhor emprego como serralheiro. É no Sporting que encontra o treinador da sua vida, Mário Moniz Pereira. Moniz Pereira foi o mentor de várias gerações de atletas portugueses de fundo e meio-fundo.

Em 1975, Carlos Lopes e alguns outros atletas do Sporting passa a treinar duas vezes por dia. Lopes era dispensado do seu emprego (entretanto foi contínuo no jornal Diário Popular e num banco) na parte da manhã. Entrava-se assim, na era do semi-profissionalismo.
Primeiro Campeonato do Mundo
Lopes ganha em Chepstown

Em 1976, Lopes ganha pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-mato, que nesse ano se realizava em Chepstown, no País de Gales. Como mais tarde viria a demonstrar, Lopes fez uma corrida demonstrando uma enorme auto-confiança, mostrando resistência, sentido táctico e muito boa ponta final (sprint).

Montreal-76
Carlos Lopes, que já tinha estado sem glória nos Jogos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas para os Jogos Olímpicos de Montreal, no Verão de 1976. Lopes teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural.

Na final dos 10.000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era arrebentar com a concorrência (ou com ele próprio...). De facto, Carlos Lopes inciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha sido o único a conseguir acompanhar Lopes. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. Viren era um atleta de excepção, e ganhou também o ouro nos 5.000 metros.

Era a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha olímpica, e a primeira vez no atletismo.

Palmarés

1976 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.

1976 2º Lugar nos Jogos Olímpicos de Montreal.

1977 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.

1982 venceu os 10 mil metros de Bislett Games em Oslo

1983 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.

1983 2º Lugar na Maratona de Roterdão.

1984 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.

1984 2º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro português, Fernando Mamede.

1984 venceu a Maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

1985 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.

1985 venceu a Maratona de Roterdão e record do mundo.



NÃO LHE FALTOU GANHAR NADA!!!

texto de http://pt.wikipedia.org/

Centro histórico com rede wireless

Quarteirão do centro histórico dedicado às empresas "criativas"

A Câmara Municipal de Viseu quer transformar um quarteirão do centro histórico num espaço dedicado às empresas criativas. A recuperação de edifícios na Rua do Comércio, na Praça D. Duarte e na Rua D. Duarte vai avançar brevemente, anunciou ontem o vice-presidente da autarquia, Américo Nunes. Este é um projecto que foi aprovada no âmbito da Rede Urbana para a Competitividade e Inovação (RUCI), um programa co-financiado pelo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) que promove a oferta integrada de acolhimento empresarial em espaço urbano.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Simplesmente Tó

 in Jornal do Centro de 11-02-2011




Simplesmente Tó

O ar bonacheirão, o benfiquismo e um sorriso tímido – embora descomprometido - são traços que podem, também, descrever um Barão. Não há traços de personalidade que definam o portador de um título nobiliárquico. A um Barão da Sé basta-lhe, por exemplo, ter nascido na Sé ou dela ter feito o seu berço que o embalou para a vida. Se a isto lhe acrescentarmos o brasão da Nobreza da Amizade, com certeza que os galões podem ser puxados com mais propriedade!

O Barão de que vos falo é bonacheirão, benfiquista e tem um sorriso tímido – embora descomprometido. É amigo! António Augusto é apenas o epíteto burocrático patenteado nos documentos. O meu amigo chama-se simplesmente Tó. Entre nós não há epítetos burocráticos: é o meu amigo Tó! Há duas semanas a vida levou-lhe a mãe, num destino que é - quer queiramos, quer não - fatal. O Tó disse, na altura, que não aguentaria muito tempo sem a sua mãe. E não é que, de repente, desatou a correr atrás dela? Levou com ele o ar bonacheirão, o benfiquismo e um sorriso tímido - embora descomprometido - e só nos deixou a surpresa de uma tão rápida, louca, surpreendente e irreversível corrida. Nunca o imaginei a correr assim, sabendo como sei que nunca teve muito jeito para o desporto. Confesso que, desta vez, ele me surpreendeu, caraças!

- Tó, em Maio temos jantar dos Barões da Sé. Se quiseres senta-te ao meu lado. Se te atrasares, eu guardo-te o lugar. Nós esperamos por ti! Entretanto, quando chegares junto da D. Alice, diz-lhe, por favor, que gostamos imenso de Vocês e que já temos saudades Vossas.

Tiago Nascimento – Barões da Sé de Viseu

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aristides Sousa Mendes homenageado no Senado de Nova Iorque

Ex-cônsul de Portugal em Bordéus durante a II Guerra Mundial salvou milhares de pessoas da perseguição nazi
O Senado de Nova Iorque homenageou na segunda-feira Aristides Sousa Mendes, ex-cônsul de Portugal em Bordéus durante a II Guerra Mundial que salvou milhares de pessoas da perseguição nazi, escreve a Lusa.

«A Aristides Sousa Mendes é reconhecido o salvamento de cerca de 30 mil pessoas em 1940, quando (...) ignorou e desafiou as ordens do seu próprio governo parar assegurar a segurança de refugiados que escapavam às forças militares alemãs», refere a resolução aprovada pela câmara alta da assembleia estadual nova-iorquina, por iniciativa do senador luso-americano Jack Martins.

«Inspirado em parte pela sua amizade com o rabi Chaim Kruger, Sousa Mendes deliberadamente desobedeceu às ordens para não atribuir vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida ou contestada (...) ou judeus expulsos dos seus países de origem», adianta o texto.

Ao todo, refere, Sousa Mendes terá atribuído 30 mil vistos, não só a judeus, mas também a dissidentes políticos, oficiais de países ocupados e membros do clero, como padres e freiras.

A resolução foi apresentada a propósito da inauguração de uma exposição sobre o ex-cônsul nos arredores de Nova Iorque e do estabelecimento da Fundação Aristides Sousa Mendes nos Estados Unidos, segundo disse à Lusa o senador luso-americano.

«É a oportunidade de poder reconhecer um grande líder da história portuguesa, alguém que, pela sua coragem, pelo seu carácter, teve oportunidade de influenciar centenas de milhar de pessoas, e de forma real mudar a História, não só da Europa, mas mundial», adiantou Jack Martins.

A exposição organizada pela nova Fundação estará patente a partir do final desta semana e até 3 de Abril na cidade de Mineola, nos arredores de Nova Iorque, onde reside uma numerosa comunidade de origem portuguesa e de que Martins foi presidente de câmara até à eleição para o Senado em Novembro.

Para o senador, é uma oportunidade para mostrar aos luso-descendentes «os grandes heróis do passado» de Portugal, mas também o melhor do país aos norte-americanos.

«Falamos sempre no Vasco da Gama, Infante Dom Henrique ou reis, mas temos também um Aristides Sousa Mendes que na altura certa teve a coragem de fazer o que tinha a fazer e de afectar o mundo de uma maneira especial», disse à Lusa.

A exposição sobre Sousa Mendes foi inaugurada no domingo no Holocaust Memorial and Tolerance Center of Nassau County, coincidindo com a atribuição do estatuto de organização sem fins lucrativos à Fundação criada em Setembro de 2010.

A Fundação está já a recolher fundos para o projeto da Casa do Passal, residência da família Sousa Mendes em Cabanas de Viriato (Viseu) que se encontra em ruínas, que inclui um Museu e um Centro de Estudos.

Outra parte da missão é fazer uma listagem completa de todos os que foram directa ou indirectamente beneficiados pelos vistos portugueses, e seus descendentes, cujo número pode rondar as centenas de milhar, embora a maioria não conheça sequer o benfeitor.


in TVI

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tó, até sempre...

O Corpo do António Augusto (Tó) está em câmara ardente na Igreja da Misericórdia - Viseu.
         Exéquias e funeral realizam-se amanhã, pelas 15h30m.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Casa da Boneca fechou as portas

A Casa da Boneca, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Viseu, fechou as portas, não só devido à crise, mas também pelo cansaço dos proprietários.

Não deverá haver viseense que não conheça a Casa da Boneca. Situada há mais de 130 anos na Praça D. Duarte, no Centro Histórico, trata-se de uma das casas comerciais mais antigas da cidade e onde ao longo de várias décadas se vendeu todo o tipo de brinquedos. Na memória de muitos estão os dias de época de Natal em que era quase impossível andar dentro da loja devido ao elevado número de clientes. Não deverá haver criança em Viseu que não tenha recebido uma prenda da Casa da Boneca, tendo em conta que alturas houve em que os actuais proprietários assinalavam o Dia da Criança com a oferta de uma boneca ou de um peluche a cada aluno das escolas do concelho.
No entanto, a idade dos comerciantes e a mudança de hábitos nas compras ditaram o fim do estabelecimento. "Tudo o que é bom acaba", explica Maria Odete Nascimento enquanto olha para as prateleiras vazias, onde até há três anos se amontoavam brinquedos. O marido, João Nascimento, colocou na montra um cartaz em que agradece todo o carinho que receberam ao longo dos anos por parte dos clientes, que em muitos casos se transformaram em amigos. "Achámos que está na altura de dar descanso à cabeça e de deixar de pensar todos os dias no negócio, que também está cada vez mais difícil", explica João Nascimento ao mesmo tempo que vai percorrendo o interior da loja, onde já só há uma caixa com brinquedos "para oferecer".
"Chegava a haver alturas em que era quase impossível andar dentro da loja", sublinha Maria Odete Nascimento, ao mesmo tempo que mostra fotografias dos tempos em que era preciso a família toda a ajudar, porque não havia mãos a medir, tantas eram as solicitações, numa altura em que não havia hipermercados nem centros comerciais. "Lembro-me de um Dia da Criança em que foi necessário cortar o trânsito, para que as jovens pudessem andar à vontade na Praça", diz a comerciante ao mesmo tempo que mostra fotografias de concursos de Lego, realizados na loja. Ao longo das mais de três décadas, o casal assistiu a muitas mudanças, a começar pelo nome da Praça D. Duarte, que se chamava Praça de Camões. Viram os comerciantes da feira semanal trocarem aquela Praça pelo recinto junto ao rio Pavia, assistiram às obras de requalificação de todo o Centro Histórico, testemunharam a abertura e o encerramento de muitas lojas, e também à mudança dos hábitos de consumo. "Até eu preferia fazer compras num centro comercial, onde os miúdos podem andar à vontade, a temperatura é sempre boa e o estacionamento não está longe", admite João Nascimento.
No dia 5 de Janeiro, Paulo de Carvalho vai estar em Viseu para actuar no Concerto de Reis, com a Filarmonia das Beiras. O cantor deverá passar também pela Praça D. Duarte já que faz questão de visitar o casal de comerciantes sempre que está na cidade.
Mas este é apenas um dos "clientes" famosos que passaram pela Casa da Boneca. Foi das mãos de João e Maria Odete Nascimento que o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, na altura em campanha, recebeu um coelho com uma cenoura. "Ele percebeu logo que a brincadeira se devia à cor do cabelo dele", lembra Maria Odete Nascimento, ao mesmo tempo que recorda passagens pela loja de Mário Soares, D. Duarte Pio e o antigo ministro Mota Pinto, entre outros. A possibilidade de um dos cinco filhos tomar conta do negócio está fora de questão, porque cada um tem a sua vida. No entanto, esperam que o próximo proprietário da loja mantenha, pelo menos o nome. "A Casa da Boneca foi inicialmente uma loja de tecidos, mas tinha uma boneca na montra, daí o nome. A tradição poderá ser mantida", acredita João Nascimento.

in Diário de Viseu (03-01-2011)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Feliz Natal 2010

Os Barões da Sé (Viseu) desejam a todos os
familiares, amigos e colegas um
FELIZ NATAL e um Próspero Ano de 2011


Viseu gemina-se com o Rio de Janeiro (Brasil)

No dia 10 de Dezembro de 2010, a cidade de Viseu geminou-se com a sua congénere do Rio de Janeiro. Foi, sem dúvida, um momento maravilhoso e a concretização de um sonho. Construído ao longo de quatro anos, com a vontade e a participação de cidadãos portugueses, luso-brasileiros e brasileiros, o acto pode e deve ser uma ponte que permitirá o estabelecimento de laços de cooperação em interesses reais, essencialmente a nível económico, cultural, empresarial, ensino e outras actividades. Há, concerteza, no campo vastíssimo das áreas mencionadas, muito a dar e a aprender mutuamente. Todavia, se foi algo de muito importante o momento da geminação protagonizado pelo Dr. Fernando Ruas, Presidente da Câmara Municipal de Viseu, e a Dr.ª Teresa Bergher, vereadora da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com raízes familiares na região de Viseu, devo realçar a enorme satisfação e o orgulho patenteado no facies dos portugueses, luso-brasileiros e brasileiros residentes e os presentes pertencentes à delegação de Viseu, cuja Pátria, como referiu Fernando Pessoa, é a língua portuguesa.

O seu semblante iluminado com o esmalte do sorriso deixou percepcionar que algo de melhor o futuro lhes reserva. Pelo facto, parece até que as comemorações do dia da Nossa Senhora da Conceição celebradas na Casa de Viseu do Rio de Janeiro, espaço de autenticidade em que se ama de paixão a língua portuguesa, marca de identidade sociocultural, decorreram num clima ainda mais festivo e anunciador de que algo muito positivo, nos tempos próximos, irá acontecer. Esta oportunidade, concretizada através da geminação, tem que ser obrigatoriamente alimentada, expandida indefinidamente, através da sua força cultural, da sua força intrínseca e do poder político das duas cidades. Nesta aldeia global, as cidades e as nações posicionam-se em torno de pólos de poder e de articulação, para colherem benefícios mútuos. Aqueles que se acomodarem ficarão relegados para segundo plano, desprotegidos. Estimar esta oportunidade é estimar-se. Na nossa língua pensamos, comunicamos, interagimos e convivemos. É preciso dar novos rumos ao rumo. Haja vontades para sedimentar a cooperação e preservar a pátria lusófona, sem muros, de dimensões colossais.

Texto de José Costa in Jornal do Centro de 17 de Dezembro de 2010


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