Quarta feira, 24 de Junho de 2009
Cavalhadas!...
Em Vildemoinhos já ninguém se lembra do princípio. Não espanta, já que quatro séculos, quase, são volvidos. A primeira festa foi feita para responder a uma promessa que os habitantes de então juraram que se havia de cumprir pelo tempo fora até ao fim do mundo. É uma história antiga que toda a gente sabe. Passou-se na aldeia com velhos moleiros a quem roubavam, noite fora, a água da Ribeira para os moinhos que precisavam de moer.
Diz a tradição que fizeram uma queixa ao tribunal do Rei e que escolheram como defensor o patrono da capela, S. João. Pagariam, se vencessem a causa cometida, com romagem à capela que o santo tinha na Carreira, na margem de Viseu.
Decretou o Rei que as águas do Pavia pertenciam no Verão apenas aos moleiros. E na manhã de S. João fez-se então a primeira Cavalhada. E esta herança que apenas se escreveu no coração, foi passando, ano a ano, memória dos avós, exemplo de pais, preito de honra que ninguém deixa morrer.
Manhã de S. João.
Mordomos a cavalo e o alferes da bandeira correm à capela para cumprir o voto. Voltam depois e regem o Cortejo que há-de atravessar a cidade inteira, tal foi também o prometido. Vêm os moleiros trajando fantasias. Antes vinha o povo com ramos e bandeiras, carroças com a merenda juncadas de flores.
É outro tempo.
É outro tempo.
Vêm os Tambores, as Filarmónicas, os Ranchos Folclóricos, as Fanfarras, Majoretes, os Gigantes e os Carros alegóricos, um mundo de arte e de prazer para o olhar. A cidade inteira vem à rua para ver. Vem gente de aldeia, aos mil, só porque a festa lhes toca o coração.
Depois há ainda o arraial, o pinheiro a arder e todos a dançar, há missa e procissão. Há a festa, muitos dias, sem parar. Cumprida outra vez a herança dos avós.
Depois há ainda o arraial, o pinheiro a arder e todos a dançar, há missa e procissão. Há a festa, muitos dias, sem parar. Cumprida outra vez a herança dos avós.
Texto de Alberto Correia in Jornal do Centroed. 379, 19 de Junho de 2009



