A Sé de Viseu foi algo que nós vivemos, usufruímos, comungámos, preservámos. E foi – e será - um cenário esplendoroso para todos nós quando nos abeirávamos das janelas das casas onde nascemos! E crescemos!!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Deslocamento da Loja do Cidadão volta à estaca zero
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Rodrigo
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Centro histórico vigiado por câmaras de vídeo
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Como éramos felizes!!!
Tu que tiveste a tua infância durante os anos 60, 70 ...
Como podes ter sobrevivido?
As camas tinham grades e os brinquedos eram multicores com pecinhas que se soltavam ou no mínimo pintados com umas tintas “duvidosas” contendo chumbo ou outro veneno qualquer.

Não havia trancas de segurança nas portas dos carros, chaves nos armários de medicamentos, detergentes ou químicos domésticos.
Andávamos de bicicleta para lá e para cá, sem capacete, joelheiras, caneleiras e cotoveleiras...
Bebíamos água em potes de barro, da torneira, duma mangueira, ou duma fonte e não águas minerais em garrafas ditas “esterilizadas”.

Construíamos aqueles famosos carrinhos de rolamentos e aqueles que tinham a sorte de morar perto duma ladeira asfaltada, podiam tentar bater records de velocidade e até verificar no meio do caminho que tinham economizado a sola dos sapatos, que eram usados como travões...
Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Íamos brincar na rua com uma única condição: voltar para casa ao anoitecer. Não havia telemóveis... Os nossos pais não sabiam onde estávamos! Era incrível!

Braço engessados, dentes partidos, joelhos esfolados, cabeça rachada. Alguém se queixava disso? Todos tinham razão, menos nós ...

Tínhamos aulas só de manhã, e íamos almoçar a casa. Quando tínhamos piolhos a nossa mãe lavava-nos a cabeça com Quitoso e com um pente fininho removia a piolhada toda.
Comíamos doces à vontade, pão com Tulicreme, bebidas com o (perigoso) açúcar. Não se falava de obesidade, brincávamos sempre na rua e éramos super activos ...

Quando comprávamos aqueles tubinhos de Fá naquela mercearia da esquina, vinha logo o pessoal todo a pedir um “coche” e dividíamos com os nossos amigos. Bebiam todos pelo mesmo tubinho e nunca ninguém morreu por isso ....

Nada de Playstations, Nintendo,X boxes, jogos de Vídeo, Televisão por satélite, Televisão a Cabo nem DVD’s, Dolby surround.
Telemóvel era ficção científica
Nem Computador e nem Internet
Só amigos.

Nada de ração. Comiam a mesma comida que nós (muitas vezes os restos), e sem problema nenhum!
Banho quente? Champô?
Qual quê! No quintal, um segurava o cão e o outro com a mangueira (fria) ia jogando água e esfregava-o com (acreditem se quiserem) sabão (em barra) de lavar roupa!
Algum cão morreu ou adoeceu por causa disso?

É verdade! Lá fora, nesse mundo cinzento e sem segurança! Como era possível? Jogávamos futebol na rua, muitas vezes com a baliza sinalizada por duas pedras... Ás vezes quando éramos muitos tínhamos que ficar de fora sem jogar nem ser substituído... mas nem era o “FIM DO MUNDO”!

As nossas festas eram animadas por gira-discos , a fazerem aqueles cliques da agulha a deslizar nos discos de vinil. As bebidas, eram claro, a deliciosa groselha com cubinhos de gelo.
Tínhamos:
Liberdade,
Fracassos,
Sucessos e
Deveres.
...e aprendíamos a lidar com cada um deles!
A única verdadeira questão é:
como conseguimos sobreviver?
E acima de tudo, como conseguimos desenvolver a nossa personalidade?
No NOSSO TEMPO era assim, somos desta Geração.
Como éramos felizes!!!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Boas Festas
Os Barões da Sé de Viseu desejam a todos os familiares, amigos e leitores do Blog
um Feliz Natal e um Excelente Ano de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
João Pais: Campeão Nacional no Desafio Elf/Mazda
Quando terminou a prova disse que ainda não estava em si. Quando tempo demorou para avaliar a vitória conseguida?
Só quando olho para o papel é que acredito, porque ainda hoje estou um bocado a digerir toda esta vitória que tem sido muito agradável, as pessoas em Viseu têm sido fantásticas. Vou na rua, abordam-me e dão-me os parabéns. Quando acabei a prova só pensava: a dificuldade toda que foi, durante este ano, numa altura de crise, os esforços que fizemos para estar ali, os patrocinadores de um lado e do outro a tentarem ajudar para que este projecto nunca parasse e sempre a acreditarem. E, de repente, chegamos ao final, atingimos um objectivo que no início do ano nunca pensámos, em que além de sermos terceiros na geral, somos melhor português, no agrupamento T 1, primeiro carro a diesel e segundo na classificação do memorial José Megre.
São vários títulos numa mesma prova.
O meu pai dizia: "em 24 horas trazemos tantos canecos para casa" e a verdade foi essa.
O que é uma prova como as 24 Horas TT de Fronteira?
É uma prova que necessita de uma preparação física e psicológica muito boa.
Faz por isso?
Faço ginásio regularmente, embora não goste muito de correr sem sair do mesmo sítio e de estar trancado em salas (risos). Mas quando queremos levar as coisas a sério, temos que saber tratar do nosso corpo, assim como a alimentação… tudo é importante nas corridas.
Quem está fora da corrida pensa que estar sentado ao volante não exige grande esforço.
É o contrário. Numa corrida como eu fiz – o Transibérico – que são quatro dias onde fazemos 2500 quilómetros, quantas passagens de caixa é que faço? Portanto, quantas vezes é que a minha perna esquerda trabalha na embraiagem, quantas vezes trabalha no travão, quantas vezes é que o meu pé direito trabalha no acelerador e no travão? A minha mão direita quantas vezes vai à manete? Depois, utilizamos um sistema para protecção da cervical, que vai por cima dos cintos e quase nos imobiliza a cabeça. Temos que suportar o peso do capacete no pescoço, mais os cintos, as pancadas dos buracos… de tudo. Ou estamos fisicamente bem preparados ou não se aguenta.
Como faz para se preparar psicologicamente?
A corrida é sempre em Dezembro ou Novembro. São oito da noite e dá-nos a sensação de nos encostarmos e dizer: "já é meia-noite", mas olha-se para o relógio e são seis da tarde. Para aguentar as primeiras horas que são sempre as mais emocionantes, é importante conseguirmos manter-nos calmos, essencialmente não mostrar que não estamos calmos.
A prova, como o nome indica, é o carro a andar 24 horas?
Temos turnos que não podem exceder três horas, cada piloto só pode fazer 12 horas no máximo e todos os pilotos têm que fazer uma volta completa no mínimo (15 quilómetros). Fazemos normalmente turnos que duram duas horas e 45 minutos.
Quantas pessoas mais se envolvem na equipa numa prova destas?
Quatro pilotos e mais 20 pessoas por fora, contando com os mecânicos, apoio logístico, cozinheiros.
A prova obriga a uma alimentação especial?
É preciso ter muito cuidado com o que se come (durante a prova) senão há más disposições e é perigoso.
O que come durante a prova?
Tudo à base de massas, arroz, um bocadinho de carne grelhada e muitos líquidos.
Os jornalistas mostraram muita admiração por na sua equipa haver participantes a correr pela primeira vez. Esse também foi um segredo?
Além de ser um segredo, nunca pensámos chegar à última prova do campeonato e poder lutar pelo título, felizmente os nossos mecânicos fizeram um trabalho de evolução da carrinha excepcional. Escolhi o meu pai (António Pais) porque quis dar-lhe a oportunidade de um dia vir a correr. Escolhi o Francisco Cabral que é a pessoa que me tem acompanhado ao longo da minha carreira. Foi um dos meus navegadores que me ensinou muito do que é estar nas corridas, tem muitos títulos nacionais, este ano voltou a ser campeão nacional de ralis. O João Rato, outro meu navegador foi comigo correr porque aceitou vir comigo e o que sabe fazer muito bem é conduzir.
Qual foi o segredo da gestão da corrida?
Foi feito por um profissional brilhante que temos em Viseu, chamado Paulo Torres, um grande co-piloto que sabe muito da táctica da corrida. Fez uma gestão de equipa perfeita.
O troféu Elf/Mazda onde se sagrou campeão foi outro desafio?
Desafio é mesmo a palavra correcta, porque em ano de crise lançar um troféu, é fantástico. Jorge Natário, da Mazda Motores de Portugal é um guerreiro. Consegue arranjar um patrocínio para um projecto, consegue arranjar pilotos para virem para o mercado, faz todo um trabalho de marketing impressionante. Depois, chegamos a Fronteira e temos sete carros a correr, quando andamos hoje em campeonatos com corridas 16 inscritos, onde já houve 80. As organizações das provas devem ter isso em conta e dar condições para que este troféu continue, ou seja, criar condições para que os pilotos se possam inscrever a baixo custo. É uma aposta e, ao baixarem os preços, faz com que tenham mais inscritos.
Como é que Viseu consegue ter um piloto dedicado ao desporto automóvel a tempo inteiro?
Com a ajuda de várias empresas, de vários amigos, com muita dificuldade e com muita dedicação quer dos patrocinadores, quer dos pilotos, quer dos co-pilotos e com uma esquipa de mecânicos fantástica.
Quem são esses mecânicos excepcionais?
São de Mafra. O chefe é o Helder Santos. Foi uma aposta que fiz neles, certa da minha parte. São pessoas muito experientes que trabalham com um profissionalismo e uma dedicação incrível. E são meus amigos antes de serem mecânicos. No dia em que as pessoas virem as coisas só como um negócio e não andarem lá porque gostam, dificilmente vão conseguir triunfar.
A assistência é tão boa que durante as provas pouca necessidade teve de receber assistência.
Exactamente. Foram sete carrinhas à chegada, as mesmas que estavam na partida. Todas terminaram e isso é uma prova de fiabilidade impressionante.
Como é que um piloto do interior consegue os apoios?
No meu caso, recorri aos amigos que tinham empresas. Uma vez ajudava um, outra vez ajudava outro. Como é que se angaria um patrocínio forte? Não sei, nunca o tive, espero ter essa oportunidade, para que possa dar um salto na minha carreira e possa mostrar um bocado mais do meu potencial.
A vitória em Fronteira está a abrir portas?
Começaram a abrir-se algumas portas, começaram a surgir alguns contactos. Vamos ver. Vamo-nos manter na expectativa e, no momento certo, anunciaremos o que vamos fazer em 2010.
A continuidade no troféu Elf/Mazda está assegurada?
Não está assegurada mas muito bem encaminha e gostava de permanecer no desafio Mazda porque é um desafio muito bem organizado. Para o ano vai ser melhor, vai-se tornar mais competitivo e isso faz com que se torne mais interessante para nós pilotos, dá-nos mais visibilidade e dá mais visibilidade à marca.
Qual é o sonho de João Pais piloto?
Continuar com os pés bem assentes na terra e poder continuar a ser o João Pais a quem dão a oportunidade de pilotar.
Porque diz que a sua carreira começou como uma brincadeira?
Começou com uma brincadeira do meu pai que, tinha eu oito anos, estávamos de visita ao Autódromo do Estoril e decidiu ensinar-me a conduzir o carro dele - que já era um jipe curiosamente – e eu quase não chegava ao pés ao pedais e para embraiar tinha que me pôr de pé. Portanto, comecei a conduzir um carro sozinho, aos oito anos, no Autódromo do Estoril. Depois começou a levar-me aos Karts, eu tinha jeito, e fui andando.
Vai continuar no todo-o-terreno ou pensa avançar para outra categoria?
Sempre ambicionei muito mais ser piloto de Todo-o-Terreno do que de ralis, mas se surgir a hipótese de ralis ou de velocidade, não estão fora do baralho. Penso que conseguia adaptar a minha condução a vários estilos. Voltar às pistas não iria ser uma surpresa. Se quero continuar no Todo-o-Terreno ou se gostava que a minha carreira se limitasse ao todo-o-terreno? Sim. Gostava de um dia fazer parte de uma equipa oficial e fazer um Argentina-Chile. Neste momento não me sinto capacitado para isso, mas se calhar daqui a dois anos gostaria de ter essa oportunidade.
Já tem planos para a próxima prova?
O campeonato acabou, vai regressar em 2010. Ainda nem sabemos ao certo o nosso projecto para 2010, portanto, não podemos fazer projectos para a próxima corrida.
Correr vai de certeza?
Espero continuar a poder dar aos meus conterrâneos a alegria de verem um viseense nas corridas, não sei se a ganhar, mas pelo menos nas corridas.
Antes de Fronteira queixava-se do seu trabalho não estar a ser reconhecido.
Quando estamos a um ponto de ser campeões, começamos a olhar à nossa volta e não há patrocínios, ficamos tristes com nós próprios, com o momento actual em que a sociedade vive, ficamos revoltados, mas felizmente os amigos não deixaram que isso acontecesse, acreditaram em mim até ao fim.

























