sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Filme do Natal 2007

Prémio Atleta Centenário

Dominador e campeão em todos os cenários - pista, estrada e crosse -, Carlos Lopes recusa eleger qualquer variante. A paixão pelo atletismo é só uma.

Referência mundial e lenda do atletismo luso, Carlos Lopes, 62 anos, recebe hoje, sexta-feira, o prémio Atleta Centenário, distinção do Comité Olímpico Português (COP), que homenageia o ex-atleta e os medalhados durante a vida do organismo. Vinte e três anos de uma carreira repleta de títulos justificam a condecoração a alguém que hoje se dedica ao dirigismo e descoberta de talentos.
"Eu era um atleta perfeito"
Qual o significado deste prémio?
É uma distinção importante, pelo que fiz no passado e pela mentalidade que ajudei a criar. Creio, também, que se deve ao que representei para o atletismo e ao meu contributo para ajudar à evolução do desporto em Portugal.
É o melhor atleta do centenário?
Sinto-me completamente à vontade para receber este prémio. É o reconhecimento de uma longa carreira.
Quais foram os melhores momentos em 23 anos de carreira?
Vivi muitos. A primeira medalha no Campeonato do Mundo de Corta-mato e a de prata olímpica, ambas em 1976. Novamente, a de campeão mundial, em 1984, o ouro em Los Angeles, no mesmo ano, e o último Mundial, de 1985, em Lisboa. Por outro lado, fui e estive sempre inserido no grupo dos melhores atletas do Mundo.
Mas também passou por maus momentos...
O pior que posso enumerar e vivi foram as lesões. Não me deixaram fazer coisas mais interessantes. Enfrentei-as em fases coincidentes com grandes provas e não estive nas melhores condições.
Quem foram as pessoas mais importantes nessa fase ?
A família é sempre a mais importante. Ajudou-me a resguardar-me e incentivou-me a continuar na modalidade.
Pensou em desistir ?
Não propriamente. Mas sabia quer era extremamente complicado recuperar.
Kobayashi foi importante ?
O mestre teve a sua quota-parte na recuperação. Fez-me acreditar que era possível ultrapassar aquela fase e voltar à minha condição normal. Foi uma das pessoas mais importantes da minha carreira.
A rivalidade com Fernando Mamede marcou o seu percurso e gerou polémica. Hoje, mais distanciado, é capaz de explicar o que se passou?
Essencialmente, deveu-se à existência de personalidades diferentes. Mas não quero entrar em polémicas e não digo mais nada sobre isso.
Pista, crosse ou estrada - que variantes prefere e em qual delas foi melhor?
Fui bom em todas. Campeão do mundo de crosse, realizei dos melhores tempo em pista e bati o recorde mundial em estrada. Era um atleta perfeito em todas as variantes.
Mudaria alguma opção do passado?
Não. O que é que podemos mudar quando as coisas saem perfeitas? Possivelmente, a única que faria diferente era a de estar mais tempo fora. Isso não significa que quisesse fugir de Portugal. Mas em termos de condições de treino, teria ido para outras paragens.
Com as actuais condições seria ainda melhor?
Parto do princípio que se consegui aqueles resultados, naturalmente que com as condições de hoje faria melhor.
Foi devidamente apoiado e reconhecido ?
Nem sempre, mas desde que o fosse pela família... estava tudo óptimo. Acho que também sou um pouco responsável pelas novas condições e apoio que hoje se concedem aos jovens.
Há, então, um atletismo antes e depois de Carlos Lopes ?
Naturalmente.
Houve alguma vitória que gostaria de ter conseguido?
Sim. Gostaria que a primeira medalha de prata, nos jogos de Montreal, em 1976, tivesse sido de ouro.
Que conselho dá a quem quiser ser um novo Carlos Lopes ?
É difícil. Os jovens têm, hoje, muitas ofertas e não estão dispostos a abdicar da maneira de estar na vida. Além disso, não estou a ver o desporto amador com futuro certo. Há que pensar duas vezes e ver se vale a pena incentivar as pessoas a fazerem alta competição. É difícil e, por vezes, não é compensada com os incentivos devidos. Isto não são dois pontapés na bola. Desculpem-me, pois não tenho nada contra o futebol, mas creio que devia existir comparação entre a alta competição e essa modalidade.
Mas falta apoio de quem ?
Repare: quando um jovem com a mesma idade, entre os 15 aos 20 anos, tem de escolher se joga futebol, onde ganha muitos euros por mês, ou se tem de pagar do seu bolso para fazer desporto, as coisas complicam-se. Para quem tem de treinar, se calhar, mais quatro ou cinco vezes por dia, é extremamente complicado. E sei bem do falo, pois faço parte de um grupo de trabalho destinado a treinar esses jovens.
É dirigente ?
Sim, integro um grupo de trabalho ligado ao Comité Olímpico Português que procura incentivar jovens para a prática desportiva e pesquisa talento nas escolas. Estou ligado à área em que contribuí para alguma evolução.

in Jornal de Noticias de 27 de Novembro de 2009

CARLOS Alberto de Sousa LOPES
Nascido em Vildemoinhos, Viseu, a 18 de Fevereiro de 1947 foi um atleta português; um dos melhores da sua geração e uma referência mundial do atletismo de longa distância. Lopes sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de estrada e no corta-mato (cross).
Origens modestas em Viseu
A família Lopes era modesta. Carlos começou a trabalhar como servente de pedreiro, ainda não tinha onze anos, para ajudar a sustentar a casa de família. Mais tarde, foi empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. Enquanto adolescente, Lopes ambicionava jogar futebol no
Lusitano de Vildemoinhos, o clube da sua aldeia. O clube rejeitou-o por ser excessivamente magro. Como ele próprio contou mais tarde, o atletismo surgiu por acaso. Numa correria com amigos, durante a noite, ao voltar de um baile (correndo em parte para afastar o medo que o vento uivante lhes fazia), Carlos Lopes foi o primeiro, batendo um grupo de rapazes da sua idade que treinavam regularmente e já se dedicavam ao atletismo. Foi nesse grupo de adolescentes que nasceu a ideia de criar um núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos.A primeira prova oficial de Lopes foi numa corrida de São Silvestre; tinha 16 anos. Lopes ficou em segundo lugar, pese embora a presença de corredores bem mais experientes. Pouco tempo depois, ganhou o campeonato distrital de Viseu de crosse, e quase de seguida foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para juniores. Essa classificação, levou-o pela primeira vez ao Cross das Nações, em Rabat, Marrocos. Lopes foi o melhor português, em 25º lugar. Lopes tinha então 17 anos; atestando a sua origem modeta, foi nessa ocasião que Lopes viu pela primeira vez o mar.
Passagem para o Sporting
Em 1967, Carlos Lopes foi recrutado pelo
Sporting Clube de Portugal, de Lisboa. A ida para Lisboa, deveu-se tanto a razões desportivas, como à promessa de um melhor emprego como serralheiro. É no Sporting que encontra o treinador da sua vida, Mário Moniz Pereira. Moniz Pereira foi o mentor de várias gerações de atletas portugueses de fundo e meio-fundo.Em 1975, Carlos Lopes e alguns outros atletas do Sporting passa a treinar duas vezes por dia. Lopes era dispensado do seu emprego (entretanto foi contínuo no jornal Diário Popular e num banco) na parte da manhã. Entrava-se assim, na era do semi-profissionalismo.
Primeiro Campeonato do Mundo
Lopes ganha em Chepstown
Em 1976, Lopes ganha pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-mato, que nesse ano se realizava em Chepstown, no País de Gales. Como mais tarde viria a demonstrar, Lopes fez uma corrida demonstrando uma enorme auto-confiança, mostrando resistência, sentido táctico e muito boa ponta final (sprint).
Montreal-76
Carlos Lopes, que já tinha estado sem glória nos Jogos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas para os Jogos Olímpicos de Montreal, no Verão de 1976. Lopes teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural.Na final dos 10.000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era arrebentar com a concorrência (ou com ele próprio...). De facto, Carlos Lopes inciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha sido o único a conseguir acompanhar Lopes. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. Viren era um atleta de excepção, e ganhou também o ouro nos 5.000 metros.Era a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha olímpica, e a primeira vez no atletismo.
Palmarés1976 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.1976 2º Lugar nos Jogos Olímpicos de Montreal.1977 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.1982 venceu os 10 mil metros de Bislett Games em Oslo1983 2º Lugar no Campeonato do Mundo de Corta-mato.1983 2º Lugar na Maratona de Roterdão.1984 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.1984 2º Lugar no Meeting de Estocolmo, em 1º lugar ficou outro português,
Fernando Mamede.1984 venceu a Maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.1985 venceu o Campeonato do Mundo de Corta-mato.1985 venceu a Maratona de Roterdão e record do mundo.
NÃO LHE FALTOU GANHAR NADA!!!
texto de
http://pt.wikipedia.org/

terça-feira, 24 de novembro de 2009

As 4 Esquinas

Viseu
Quando viajo, o tempo que gosto mais é quando chego a uma cidade que não conheço, deposito a mala onde vou ficar e saio. Só com uma caneta e um caderno. Ontem em Viseu, apesar de já conhecer a cidade, senti-me assim naquelas horas que estava à espera de boleia.
Eduardo Salavisa in Desenhador do Quotidiano

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

João Pais

O João é filho do Tó Pais, amigo de muitos e bons momentos de quase todos nós.

noticia Jornal do Centro de 19-11-2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Armando, Boa Sorte

Não posso criar a ilusão
que não deixas saudade.
Seja por meu egoísmo,
ou pela tua pura amizade.
Por te conhecer tão bem, sei que,
trilharás solitário o teu caminho.
Voarás sem dor mostrar
Assobiando como ave sem ninho,

Da vida temos um passado,
Com o futuro presente
São poucas estas amizades
Que duram para sempre.

Mais um Barão emigrante
Sorrindo a cada instante
Apesar de metade estar ausente
A outra connosco fica presente.
Vitor Santos

Armando
Na hora de partires para uma nova etapa da tua vida os Barões da Sé desejam-te as maiores felicidades e torcem por ti.
Força amigo.
Um abraço

P.S. Agasalha-te

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Centro Histórico

O centro histórico de Viseu começa a ser "repovoado" de famílias e serviços. Organismos municipais, algum comércio e moradores começam agora a deslocar-se para o casco velho que tem vindo a ser recuperado, "para inverter a desertificação" que ameaçava o desenvolvimento económico-social da zona da cidade, sendo o funicular um instrumento importante. A Câmara Municipal de Viseu sabe que os proprietários dos edifícios na zona histórica são, maioritariamente, idosos e na grande maioria com fracos recursos. Alexandre Pinto, porta-voz do grupo de cidadãos de defesa do centro histórico, aplaude as iniciativas mas espera que as mesmas "sejam integradas como forma de se conseguir reabilitar uma zona que tem estado degradada e abandonada", conclui. Rui Macário, alfarrabista com loja no centro histórico, lembra que "o esforço tem sido feito e já se vêem mais pessoas. Agora cabe aos viseenses aproveitar e ganhar este hábito de vir à cidade velha".
Dinamizar o centro histórico era um dos objectivos do novo equipamento da cidade, em funcionamento há cerca de três semanas. Comerciantes e população reconhecem a mais-valia criada. Já viajaram mais de sete mil pessoas
Funicular ou engenho mecânico - o nome pouco importa aos viseenses que desde a sua entrada em funcionamento têm aderido ao novo meio de transporte que liga a Cava de Viriato ao centro histórico vencendo de forma cómoda a íngreme subida da Calçada de S. Mateus.

No casco velho os comerciantes reconhecem a mais-valia do funicular. Só nas primeiras duas semanas de funcionamento este meio de transporte não poluente largou mais de 7 mil passageiros no centro histórico, zona da cidade que necessita de revitalização, sendo um dos objectivos do equipamento contribuir para a dinamização.

O funicular, que pretende ser "um ex-líbris da cidade, irá continuar a manter as viagens gratuitas nos próximos quatro anos se o objectivo de levar mais gente ao centro histórico se continuar a verificar", salienta o presidente da câmara de Viseu. Fernando Ruas adianta que "em discussão está também o alargamento do horário para o período nocturno, bem como a frequência das viagens".
O funicular funciona entre as 08.30 e as 19.30 com viagens de 15 em 15 minutos ao início da manhã, almoço e final da tarde. No restante período passa de meia em meia hora.
O equipamento composto por duas carruagens, com capacidade para 50 pessoas cada, representa um investimento de 5,3 milhões de euros, inserido no programa Polis. Durante os dias de semana, o movimento ainda é reduzido mas aos fins-de-semana a viagem faz-se quase sempre com carruagens cheias.
O funicular demora cinco minutos a percorrer o trajecto até ao alto, já na colina da Sé. Nuno Loureiro, operador do funicular, conta que "todo o funcionamento é feito a partir do posto de comando, sendo que quem faz andar os dois funiculares são os operadores. O condutor apenas trava e verifica o trajecto". As carruagens lembram o comboio, com varões e bancos iguais. Até no barulho que fazem ao passar nas linhas.
Não há um que saia antes do outro - os dois funiculares partem ao mesmo tempo e terminam a viagem cinco minutos depois. Cruzam-se na Rua de Serpa Pinto e obrigaram à semaforização do trajecto. "Prioridade ao funicular" é a nova indicação de trânsito. A saída é em velocidade reduzida, seguida de um momento de aceleração e, ao aproximar-se das paragens, a lentidão instala-se, evitando solavancos ao parar. "É muito bom para as pessoas idosas que têm dificuldade em andar por caminhos íngremes", conta António Macieira, de S. Pedro do Sul e que se deslocou a Viseu para comprar equipamentos para a lavoura. "Com o comboio chego lá acima num instante."
Criticado por alguns, elogiado por muitos, o funicular é tema de conversa nas ruas da cidade para quem os cinco milhões de euros que custou "são um investimento exagerado e que não vai ter utilidade", comenta António Pedro sentado na esplanada da Pensão Viriato.
No casco velho, durante anos ao abandono, o funicular já se encarregou de desmistificar as críticas. Diz Gualter Mirandez, presidente da Associação Comercial de Viseu, que "aos fins-de-semana há mais afluência no centro histórico. Os restaurantes servem mais refeições e lanches".
Gualter Mirandez revela que "são pessoas que deixam as viaturas no Largo da Feira, fazem a visita ao centro histórico e acabam por ficar mais tempo e passear nas lojas", conclui.

in Diário de Noticias de 10-11-2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Paulo Pinho

O pediatra luso-americano Paulo Pinho foi distinguido em Nova Jérsia (EUA) como o “médico preferido das crianças”, mas orgulha-se de cuidar também dos pais e de seguir quatro gerações da mesma família. “É uma honra. Gosto de saber que estão satisfeitos com o meu trabalho”, referiu.

Paulo Pinho nasceu há 35 anos nos Estados Unidos, onde se licenciou em Medicina, e abriu há três anos a clínica PASE Medical. Numa pesquisa elaborada pela revista ‘New Jersey Family’ sobre os médicos preferidos, o luso-americano foi o escolhido na especialidade de pediatria. “Cerca de 60% dos utentes são portugueses. Por causa da língua e por ser de origem portuguesa. Entendo a cultura e a maneira de viver”, disse o médico.

Atento à grande procura de utentes portugueses, Paulo Pinho tem funcionários que dominam o português. Filho de pais naturais de Viseu, o luso-americano fala fluentemente português graças à Escola Portuguesa que frequentou. “O meu pai era professor e a minha língua primária foi o português”, disse. Os seus dois filhos também falam português e até a mulher, descendente de italianos, aprendeu a língua.

in Jornal Correio da Manhã de 08-11-2009