quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Enguias mantêm tradição no certame mais antigo de Viseu

Era frequente organizarem- -se excursões vindas de vários pontos do país e as pessoas tinham por hábito, quando iam comer a refeição, levar as batatas cozidas, vinho e pão de casa, e apenas pedir as enguias nas barracas.

Mas foi algo que se foi perdendo com o tempo, passando a ser tudo confeccionado nos locais de venda, apesar de haver algumas excepções, como acontece na 'Barraca de Enguias do Avelino Marques', em que recentemente os clientes levaram as batatas cozidas embrulhadas num pano e o vinho, e apenas pediram as enguias e o pão, como contou a responsável.



Espaços apelam aos consumidores

O facto dos espaços "serem bastante antigos e tradicionais apelam aos consumidores para lá se sentarem e consumirem", como refere Zélia Conceição, dona de uma das barracas que já está presente neste evento há 22 anos, e que vende tanto para consumo no próprio espaço, como para fora.

A Dona Quitas, que confecciona este tipo de comida há já 77 anos não só na Feira de São Mateus, mas também em casa e noutras feiras durante todo o ano, diz "que as espetadas de enguias é o que se vende, mas a adesão não tem aumentado, mantendo-se semelhante ao ano passado", enquanto no espaço 'Mar Azul - Enguias Albuquerque' dizem que ainda há bastante procura, pois é uma tradição que nunca vai acabar, apesar de cada espetada rondar os 7,5 euros.

Apreciador desta refeição, António Silva refere que o convívio é espectacular. Todos os anos vem e enquanto viver diz que há-de vir comer enguias pois é um costume. Já David Guimarães diz que "são bem confeccionadas em todo o lado, e o facto de serem vendidas tradicionalmente em tasquinhas, torna-as mais saborosas".

Tanto os consumidores como os clientes esperam que a confecção do prato da enguia continue a ser procurada e que a tradição se mantenha durante muitos anos, tal como a Feira de S. Mateus.







Sara Varanda / Sara Neiva  in Jornal Diário de Viseu de 26 de Agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Homenagem aos Bombeiros

Sabes tu o que é ser Bombeiro,

Sabes do seu valor verdadeiro,

Do quanto sofre e quanto padece?

Não sabes; e se sabes não sentes

As dores que ele sofre, ardentes,

Que na ajuda ao irmão esquece…



Tu não sabes, por egoísmo,

Avaliar quanto heroísmo

Há em cada farda, em cada peito!

Quanto deves a esses abnegados

Altruístas e humanos soldados,

Da tua estima grande preito.



Tu não sabes – finges não saber –

Que mais que a obrigação, o dever,

Os empurra na sua má sorte

A esforço titânico, sobrenatural,

Que leva tantos ao hospital

E tantos ao encontro da morte…



A morte que tu não choras,

As dores que tu ignoras

Na tua infinita maldade…

Um Bombeiro é um Homem!!!

Com cabeça membros e abdómen,

E com o que te falta: - Dignidade!



É o homem que não dorme;

De casaco ou de uniforme,

É sentinela permanente!

É o homem sem horário,

Sem regalia, sem salário,

Um irmão de toda a gente…



É quem te garante o sossego

Em casa e no emprego;

É quem na hora de perigo,

Deixa casa, deixa mulher,

Deixa o almoço por comer

E no berço o filho querido…



Oxalá a desdita – sempre torta –

Não bata um dia à tua porta…

E te obrigue no teu calvário

A reconhecer finalmente.

Quanto vale realmente

Um BOMBEIRO VOLUNTÁRIO!!!

Poesia de Caetano Carrinho (1997), publicada no livro "Encanto, Desencanto, Gargalhada e Dor" editado pela Junta de Freguesia de S. José de Viseu.


Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários




(Feira de S. Mateus, Setembro de 1960)


Nos terrenos da Feira de S. Mateus foi construído nos anos 30’s um bonito edifício de arquitectura modernista, cujas traseiras davam para a Central Eléctrica localizada na rua da Ponte de Pau. Tratava-se do Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (BVV), seguramente o maior e o mais bonito edifício, o de maior destaque e prestígio no recinto da Feira de S. Mateus, com um piso único elevado ao estilo de uma “mezzanine”. Tratava-se de um amplo Salão com duas frentes rasgadas para o recinto da Feira de S. Mateus e que durante o período da feira, todo o mês de Setembro até às vésperas da data de início do ano escolar a 6 de Outubro(+-), era utilizado pelos Bombeiros Voluntários de Viseu para a prestação de serviços de restauração servindo o montante apurado como reforço de fundos tão necessários ao suporte das suas actividades totalmente voluntárias.
O Bombeiros Voluntários de Viseu sempre tiveram muito valor, um enorme prestígio na cidade e eram um foco de entusiasmo e adesão de muita juventude que, voluntariamente e com grande orgulho, aderia a tão nobre e justa causa de ajuda à comunidade. Além das suas actividades voluntárias de socorro às populações os BVV tiveram no passado uma grande intervenção cultural nomeadamente através de um Grupo de Teatro Amador que levou à cena no Teatro Viriato várias peças algumas delas acarinhadas pela nossa conterrânea Mirita Casimiro.
Pois durante a Feira de S. Mateus, nos anos 60’s, o Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários era o local mais “chique” e mais cobiçado da Feira. O espaço tinha atributos únicos como os disputadíssimos “toilletes” (uma fragilidade no “adn” da Feira que se mantém), as mesas viradas à rua que permitiam observar e comentar os passeantes e visitantes, assistir aos espectáculos, gincanas e outras iniciativas como se se estivesse num camarote de um teatro. Havia serviços de chá com torradas ou farturas, o branco a copo, ou o famosíssimo Caldo Verde com a broa fresca de Vildemoinhos. Além destes serviços directos este Pavilhão também era o mais seguro refúgio sempre que a chuva pregava as suas partidas, o que não era tão raro quanto isso.
Todo o serviço no Salão de chá era feito pelos bombeiros voluntários nos seus tempos livres, com o traje azul de bombeiro e os seus reluzentes botões de latão amarelo. O Salão, à esquerda de quem entrava, tinha um enorme e altíssimo balcão de serviço, com vista e controlo de todo o espaço. À direita deste, no canto frontal à entrada, o estrado para a Orquestra. À esquerda uma entrada que dava acesso aos famosos “toilletes” e ainda a uma Copa mais recatada e só para “Maiores” onde se podia beber um copo (branco, tinto, cerveja, Bussaco ou pirolito), acompanhado por um petisco (pasteis de bacalhau, panados, enguias, empadas ou rissóis, …).
Nos dias principais da Feira havia uma cerrada disputa pelas mesas viradas à rua e não era raro assistir-se à marcação presencial com horas de antecipação.

E aos Sábados?
Aos Sábados havia “Chá Dançante” no Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (tempos houve que eram às 4ªs e sábados). Eram quatro bailes com grande procura, quase sempre esgotados que punham a cidade numa grande agitação. Os cabeleireiros entupiam, os sapateiros engraxavam, os perfumes esgotavam, e as mais jovens debutavam numa grande comoção. Ir ao Baile dos Bombeiros era uma grande emoção!!!
Ao princípio os bailes eram animados pelas orquestras locais como a Orquestra do Cine Jazz, a orquestra do Mário Costa, Os Diamantes, entre outras. Na época de maior sucesso já eram as principais Orquestras Nacionais como a de Shegundo Galarza, Toni Hernandez, Costa Pinto, e até o Conjunto Italiano Manino Marini, que fez várias épocas em Portugal com os grandes sucessos românticos e únicos da música italiana.

E hoje, Viseu, o que é feito de tamanha animação?
Os chás dançantes dos Bombeiros Voluntários foram, para mim, uma das fontes de inspiração para o que é hoje o conceito de “Os Melhores Anos”.

Eduardo Pinto
www.myspace.com/tubaroes