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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Homenagem aos Bombeiros

Sabes tu o que é ser Bombeiro,

Sabes do seu valor verdadeiro,

Do quanto sofre e quanto padece?

Não sabes; e se sabes não sentes

As dores que ele sofre, ardentes,

Que na ajuda ao irmão esquece…



Tu não sabes, por egoísmo,

Avaliar quanto heroísmo

Há em cada farda, em cada peito!

Quanto deves a esses abnegados

Altruístas e humanos soldados,

Da tua estima grande preito.



Tu não sabes – finges não saber –

Que mais que a obrigação, o dever,

Os empurra na sua má sorte

A esforço titânico, sobrenatural,

Que leva tantos ao hospital

E tantos ao encontro da morte…



A morte que tu não choras,

As dores que tu ignoras

Na tua infinita maldade…

Um Bombeiro é um Homem!!!

Com cabeça membros e abdómen,

E com o que te falta: - Dignidade!



É o homem que não dorme;

De casaco ou de uniforme,

É sentinela permanente!

É o homem sem horário,

Sem regalia, sem salário,

Um irmão de toda a gente…



É quem te garante o sossego

Em casa e no emprego;

É quem na hora de perigo,

Deixa casa, deixa mulher,

Deixa o almoço por comer

E no berço o filho querido…



Oxalá a desdita – sempre torta –

Não bata um dia à tua porta…

E te obrigue no teu calvário

A reconhecer finalmente.

Quanto vale realmente

Um BOMBEIRO VOLUNTÁRIO!!!

Poesia de Caetano Carrinho (1997), publicada no livro "Encanto, Desencanto, Gargalhada e Dor" editado pela Junta de Freguesia de S. José de Viseu.


Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários




(Feira de S. Mateus, Setembro de 1960)


Nos terrenos da Feira de S. Mateus foi construído nos anos 30’s um bonito edifício de arquitectura modernista, cujas traseiras davam para a Central Eléctrica localizada na rua da Ponte de Pau. Tratava-se do Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (BVV), seguramente o maior e o mais bonito edifício, o de maior destaque e prestígio no recinto da Feira de S. Mateus, com um piso único elevado ao estilo de uma “mezzanine”. Tratava-se de um amplo Salão com duas frentes rasgadas para o recinto da Feira de S. Mateus e que durante o período da feira, todo o mês de Setembro até às vésperas da data de início do ano escolar a 6 de Outubro(+-), era utilizado pelos Bombeiros Voluntários de Viseu para a prestação de serviços de restauração servindo o montante apurado como reforço de fundos tão necessários ao suporte das suas actividades totalmente voluntárias.
O Bombeiros Voluntários de Viseu sempre tiveram muito valor, um enorme prestígio na cidade e eram um foco de entusiasmo e adesão de muita juventude que, voluntariamente e com grande orgulho, aderia a tão nobre e justa causa de ajuda à comunidade. Além das suas actividades voluntárias de socorro às populações os BVV tiveram no passado uma grande intervenção cultural nomeadamente através de um Grupo de Teatro Amador que levou à cena no Teatro Viriato várias peças algumas delas acarinhadas pela nossa conterrânea Mirita Casimiro.
Pois durante a Feira de S. Mateus, nos anos 60’s, o Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários era o local mais “chique” e mais cobiçado da Feira. O espaço tinha atributos únicos como os disputadíssimos “toilletes” (uma fragilidade no “adn” da Feira que se mantém), as mesas viradas à rua que permitiam observar e comentar os passeantes e visitantes, assistir aos espectáculos, gincanas e outras iniciativas como se se estivesse num camarote de um teatro. Havia serviços de chá com torradas ou farturas, o branco a copo, ou o famosíssimo Caldo Verde com a broa fresca de Vildemoinhos. Além destes serviços directos este Pavilhão também era o mais seguro refúgio sempre que a chuva pregava as suas partidas, o que não era tão raro quanto isso.
Todo o serviço no Salão de chá era feito pelos bombeiros voluntários nos seus tempos livres, com o traje azul de bombeiro e os seus reluzentes botões de latão amarelo. O Salão, à esquerda de quem entrava, tinha um enorme e altíssimo balcão de serviço, com vista e controlo de todo o espaço. À direita deste, no canto frontal à entrada, o estrado para a Orquestra. À esquerda uma entrada que dava acesso aos famosos “toilletes” e ainda a uma Copa mais recatada e só para “Maiores” onde se podia beber um copo (branco, tinto, cerveja, Bussaco ou pirolito), acompanhado por um petisco (pasteis de bacalhau, panados, enguias, empadas ou rissóis, …).
Nos dias principais da Feira havia uma cerrada disputa pelas mesas viradas à rua e não era raro assistir-se à marcação presencial com horas de antecipação.

E aos Sábados?
Aos Sábados havia “Chá Dançante” no Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários de Viseu (tempos houve que eram às 4ªs e sábados). Eram quatro bailes com grande procura, quase sempre esgotados que punham a cidade numa grande agitação. Os cabeleireiros entupiam, os sapateiros engraxavam, os perfumes esgotavam, e as mais jovens debutavam numa grande comoção. Ir ao Baile dos Bombeiros era uma grande emoção!!!
Ao princípio os bailes eram animados pelas orquestras locais como a Orquestra do Cine Jazz, a orquestra do Mário Costa, Os Diamantes, entre outras. Na época de maior sucesso já eram as principais Orquestras Nacionais como a de Shegundo Galarza, Toni Hernandez, Costa Pinto, e até o Conjunto Italiano Manino Marini, que fez várias épocas em Portugal com os grandes sucessos românticos e únicos da música italiana.

E hoje, Viseu, o que é feito de tamanha animação?
Os chás dançantes dos Bombeiros Voluntários foram, para mim, uma das fontes de inspiração para o que é hoje o conceito de “Os Melhores Anos”.

Eduardo Pinto
www.myspace.com/tubaroes

sábado, 12 de julho de 2008

Obras de nove milhões na cidade

O centro da cidade de Viseu vai entrar em obras. "Será o início de um ciclo enorme de intervenções no espaço urbano", sublinha o presidente da autarquia. Os trabalhos podem arrancar ainda este mês.
É uma mão cheia de obras. Quase todas de reabilitação. Desde edifícios na zona histórica de Viseu, propriedade da autarquia, à requalificação e pavimentação de ruas, intervenções em bairros sociais, em zonas verdes, e alterações na circulação do trânsito, à instalação de espaços museológicos, às obras no Rossio e na Avenida Alberto Sampaio, entre outras. Tudo no miolo da cidade.

O pacote, anunciado, ontem, por Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu, faz parte da candidatura de regeneração urbana, aprovada no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), no valor de 9,2 milhões de euros. O estado comparticipa com 70 por cento, a autarquia suporta o resto.

"Será o início de um ciclo enorme de intervenções", disse o autarca, que puxou dos galões e revelou estudos que atribuem "nota máxima" a Viseu em matéria de capacidade de iniciativa municipal e gestão urbana.
As obras de reabilitação de várias casas na zona histórica, património da autarquia, vão custar quase 1,3 milhões de euros. E a reabilitação do Rossio, 750 mil euros. Destaque aqui para o pavimento da praça, que vai ficar ao nível das ruas que a circundam. "As passadeiras serão feitas de um material que os invisuais saberão distinguir", enfatizou Ruas.

A Avenida Alberto Sampaio terá só um sentido (ascendente), "libertando mais espaços para estacionamentos e zonas pedonais", sublinhou o autarca.
Haverá obras de pavimentação nas circulares. O auditório Mirita Casimiro será melhorado, o antigo matadouro requalificado e entregue depois ao Orfeão de Viseu, dois novos espaços museológicos protocolados com a Santa Casa da Misericórdia e a diocese de Viseu.

Texto de Rui Bondoso in Jornal de Notícias de 12-07-2008
fuguras do Diário de Viseu de 12-07-2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Mirita Casimiro, a eterna Maria Papoila

Em 10 de Outubro de 1914 nasceu, em Viseu, Maria Zulmira Casimiro de Almeida.

O seu pai foi o famoso cavaleiro tauromáquico José Casimiro. Os seus irmãos Manuel e José eram praticantes da mesma arte.
Apesar de ter ficado para a posteridade como a "Maria Papoila", ela foi muito maior nos palcos, onde se estreou profissionalmente em 1935, na revista "Viva a Folia", cantando alguns números e integrada na Companhia de Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória.
Já desde miúda que cantava e encantava a família e os amigos. Em Lisboa conquistou o público ao interpretar canções tradicionais da Beira Alta, envergando a capucha castanha, feita de burel, das serranas e exibindo a pronúncia da região de Viseu. No ano seguinte fez um aplaudido travesti na peça "João Ninguém" e rapidamente obteve sucesso em revistas e operetas. Em 1941 casou com Vasco Santana e formou uma dupla de enorme êxito. Alguns anos mais tarde e depois de uma dolorosa e algo escandalosa separação, Mirita, passou a ser mal vista, no meio teatral e a sua carreira começou a desmoronar-se. Em Março de 1956 tentou a sua sorte no Brasil, para onde foi trabalhar e viver, sem grande nota. No ano de 1964 voltou a Portugal para trabalhar no Teatro Experimental de Cascais. Em Janeiro de 1966, inaugurou uma nova fase do seu trabalho, estreou-se em "A Casa de Bernarda Alba", de Frederico Garcia Lorca.
Voltou ao teatro mais popular e apesar de ter participado em vários projectos vocacionados para a fazer brilhar,desde "A Maluquinha de Arroios" em 1966 e "O Comissário de Polícia" em 1968, não conseguiu recuperar o anterior fulgor.
A fatalidade bateu-lhe á porta, em 12 de Novembro de 1968, no Porto onde sofreu um grave acidente de viação. Impossibilitada de voltar ao palco e deprimida acabou por desistir de viver, em 25 de Março de 1970, na sua residência em Cascais.

Nome completo: Maria Zulmira Casimiro de Almeida
Data de nascimento: 10 de outubro de 1918 (Viseu)
Filmografia
1937 - "Maria Papoila" - Leitão de Barros
1967 - "Um Campista em Apuros" - Herlander Peyroteo

Data de Óbito: 25 de Março de 1970


"MARIA PAPOILA" - VERSÃO CANTADA

"Com saudades na lembrança, disse adeus
Á terrinha mais ao lar AI, AI, AI,
Levo n'alma a luz da esperança e fé em Deus
Parto a rir e a cantar, AI, AI, AI,
Despedi-me das ovelhas
Do meu cão das casas velhas
Do lugar onde nasci,
AI,AI,AI,
Não me importo ir á toa
Que o meu sonho é ver Lisboa
Mai'lo mar que nunca vi
Refrão [bis]
Adeus oh terra,
Adeus linda serra de neve a brilhar
Adeus aldeia, que levo na ideia
Não mais cá voltar
Diz que a sorte é das pessoas, sempre ouvi
Vem do nome que elas têm
AI, AI, AI,
coisas más ou coisas boas, vem daí
Que comigo calha bem,
AI, AI, AI,
Eu no monte era Papoila
Tinha o nome de moçoila
Que no campo anda a lidar
AI, AI, AI,
Minha mãe também dizia
Como sou também Maria
Tinha que ir pro pé do mar
Refrão [bis]


post copiado de Filmes Portugueses

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Mirita Casimiro

Mirita Casimiro, foto de 1938?

O Largo das Escadinhas da Sé, o campo de futebol e de todas as brincadeiras dos Barões da Sé, foi até principios do Séc. XX, a Cavalariça da Familia Casimiro.

Mirita Casimiro - a “Maria Papoila” !

Em 10 de Outubro de 1914 nasceu, em Viseu, Maria Zulmira Casimiro de Almeida. O seu pai foi o famoso cavaleiro tauromáquico José Casimiro. Os seus irmãos Manuel e José eram praticantes da mesma arte. Apesar de ter ficado para a posteridade como a “Maria Papoila” a nossa conterrânea foi muito maior nos palcos, onde se estreou profissionalmente em 1935, na revista “Viva a Folia”, cantando alguns números e integrada na Companhia de Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória. Já desde miúda que cantava e encantava a família e os amigos. Em Lisboa conquistou o público ao interpretar canções tradicionais da Beira Alta, envergando a capucha castanha, feita de burel, das serranas e exibindo a pronúncia da região de Viseu. No ano seguinte fez um aplaudido travesti na peça “João Ninguém” e rapidamente obteve sucesso em revistas e operetas. Em 1941 casou com Vasco Santana e formou uma dupla de enorme êxito. Alguns anos mais tarde e depois de uma dolorosa e algo escandalosa separação, a nossa Mirita, passou a ser mal vista, no meio teatral e a sua carreira começou a desmoronar-se. Em Março de 1956 tentou a sua sorte no Brasil, para onde foi trabalhar e viver, sem grande nota. No ano de 1964 voltou a Portugal para trabalhar no Teatro Experimental de Cascais. Em Janeiro de 1966, inaugurou uma nova fase do seu trabalho, estreou-se em “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca. Voltou ao teatro mais popular e apesar de ter participado em vários projectos vocacionados para a fazer brilhar, “A Maluquinha de Arroios” – 1966 e “O Comissário de Polícia” – 1968, não conseguiu recuperar o anterior fulgor. A fatalidade bateu-lhe à porta, em 12 de Novembro de 1968, no Porto onde sofreu um grave acidente de viação. Impossibilitada de volta ao palco e deprimida acabou por desistir de viver, em 25 de Março de 1970, na sua residência em Cascais.
O filme “Maria Papoila” estreou-se em 15 de Agosto de 1937, no São Luís, em Lisboa:
“(...) Nessa história da pastora beirã que vem para sopeira em Lisboa, Leitão de Barros, consegui, em grande parte devido à genial criação de Mirita Casimiro (...), um retrato admirável da oposição do mundo rural, mundo da pequena burguesia urbana, com pinceladas fulgurantes para o microcosmos dos grandes pilares da ordem portuguesa de então: a família (quer da casa de Maria Papoila quer na do namorado), o exército (o rapaz dela é magala) e a Justiça, com a magistral sequência em que Maria Papoila se apresenta no Tribunal para salvar o magala, com o sacrifício da sua “honra”.” João Bénard da Costa, in “Histórias do Cinema”, I.N.C. Moeda, 1991.
O filme termina no “quimboio” com o regresso à serra da Maria Papoila “mai´lo” seu “conbersado”, o magala Eduardo, o seu “Binte e Nobe”, e com a canção de Alberto Barbosa, José Galhardo e Vasco Santana, com música de Raúl Ferrão que soa assim: Despedi-me das obelhas/Do meu pai, das casas belhas/Do lugar onde eu nasci (...)
Mirita Casimiro foi casada com o também
actor Vasco Santana.


Texto retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Mirita_Casimiro"