Salão de Chá dos Bombeiros Voluntários
(Feira de S. Mateus, Setembro de 1960)
Eduardo Pinto
www.myspace.com/tubaroes
A Sé de Viseu foi algo que nós vivemos, usufruímos, comungámos, preservámos. E foi – e será - um cenário esplendoroso para todos nós quando nos abeirávamos das janelas das casas onde nascemos! E crescemos!!
O pacote, anunciado, ontem, por Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu, faz parte da candidatura de regeneração urbana, aprovada no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), no valor de 9,2 milhões de euros. O estado comparticipa com 70 por cento, a autarquia suporta o resto.
A Avenida Alberto Sampaio terá só um sentido (ascendente), "libertando mais espaços para estacionamentos e zonas pedonais", sublinhou o autarca.O Largo das Escadinhas da Sé, o campo de futebol e de todas as brincadeiras dos Barões da Sé, foi até principios do Séc. XX, a Cavalariça da Familia Casimiro.
Mirita Casimiro - a “Maria Papoila” !
Em 10 de Outubro de 1914 nasceu, em Viseu, Maria Zulmira Casimiro de Almeida. O seu pai foi o famoso cavaleiro tauromáquico José Casimiro. Os seus irmãos Manuel e José eram praticantes da mesma arte. Apesar de ter ficado para a posteridade como a “Maria Papoila” a nossa conterrânea foi muito maior nos palcos, onde se estreou profissionalmente em 1935, na revista “Viva a Folia”, cantando alguns números e integrada na Companhia de Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória. Já desde miúda que cantava e encantava a família e os amigos. Em Lisboa conquistou o público ao interpretar canções tradicionais da Beira Alta, envergando a capucha castanha, feita de burel, das serranas e exibindo a pronúncia da região de Viseu. No ano seguinte fez um aplaudido travesti na peça “João Ninguém” e rapidamente obteve sucesso em revistas e operetas. Em 1941 casou com Vasco Santana e formou uma dupla de enorme êxito. Alguns anos mais tarde e depois de uma dolorosa e algo escandalosa separação, a nossa Mirita, passou a ser mal vista, no meio teatral e a sua carreira começou a desmoronar-se. Em Março de 1956 tentou a sua sorte no Brasil, para onde foi trabalhar e viver, sem grande nota. No ano de 1964 voltou a Portugal para trabalhar no Teatro Experimental de Cascais. Em Janeiro de 1966, inaugurou uma nova fase do seu trabalho, estreou-se em “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca. Voltou ao teatro mais popular e apesar de ter participado em vários projectos vocacionados para a fazer brilhar, “A Maluquinha de Arroios” – 1966 e “O Comissário de Polícia” – 1968, não conseguiu recuperar o anterior fulgor. A fatalidade bateu-lhe à porta, em 12 de Novembro de 1968, no Porto onde sofreu um grave acidente de viação. Impossibilitada de volta ao palco e deprimida acabou por desistir de viver, em 25 de Março de 1970, na sua residência em Cascais.
O filme “Maria Papoila” estreou-se em 15 de Agosto de 1937, no São Luís, em Lisboa:
“(...) Nessa história da pastora beirã que vem para sopeira em Lisboa, Leitão de Barros, consegui, em grande parte devido à genial criação de Mirita Casimiro (...), um retrato admirável da oposição do mundo rural, mundo da pequena burguesia urbana, com pinceladas fulgurantes para o microcosmos dos grandes pilares da ordem portuguesa de então: a família (quer da casa de Maria Papoila quer na do namorado), o exército (o rapaz dela é magala) e a Justiça, com a magistral sequência em que Maria Papoila se apresenta no Tribunal para salvar o magala, com o sacrifício da sua “honra”.” João Bénard da Costa, in “Histórias do Cinema”, I.N.C. Moeda, 1991.
O filme termina no “quimboio” com o regresso à serra da Maria Papoila “mai´lo” seu “conbersado”, o magala Eduardo, o seu “Binte e Nobe”, e com a canção de Alberto Barbosa, José Galhardo e Vasco Santana, com música de Raúl Ferrão que soa assim: Despedi-me das obelhas/Do meu pai, das casas belhas/Do lugar onde eu nasci (...)
Mirita Casimiro foi casada com o também actor Vasco Santana.