terça-feira, 12 de setembro de 2006

Casa da Boneca

Proprietários querem trespassar Casa da Boneca

A Casa da Boneca, um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Viseu, vai mudar de dono. Após décadas a vender principalmente brinquedos, além de algum artesanato e artigos escolares, os actuais proprietários, João e Odete Nascimento, decidiram que está na altura de entregar os destinos da loja a outra pessoa. "
A decisão de querer trespassar a Casa da Boneca deve-se às nossas idades. Achámos que está na altura de dar descanso à cabeça e de deixar de pensar todos os dias no negócio, que também está cada vez mais difícil", explicou João Nascimento ao nosso Jornal.
Passando o olhar pelas prateleiras com bonecas, peluches, carros telecomandados e outros artigos que levaram quase todos os viseenses a entrar pelo menos uma vez na Casa da Boneca, seja como criança ou pais de filhos, os actuais donos recordaram os tempos em que não havia hipermercados e quase toda a gente comprava as prendas de Natal e aniversário na sua loja.

"Chegava a haver alturas em que era quase impossível andar dentro da loja", sublinhou Odete Nascimento, acrescentando que durante anos entregavam, no Dia da Criança, a todos os alunos das escolas de Viseu uma prenda o que resultava numa grande confusão não só dentro do estabelecimento, mas também no seu exterior, na Praça conhecida agora como sendo de D. Duarte, embora muita gente a tenha conhecido com o nome de Camões.

Mudanças
A mudança do nome do local onde há 130 anos funciona a Casa da Boneca foi só uma das muitas alterações a que o casal assistiu. Ao longo dos tempos, viram os comerciantes da feira semanal trocarem aquela Praça pelo recinto junto ao rio Pavia, assistiram às obras de requalificação de todo o Centro Histórico, testemunharam a abertura e o encerramento de muitas lojas, e também a alterações dos hábitos de consumo.
"Hoje em dia não são os pais que compram os brinquedos, são os filhos que escolhem.
Os artigos têm de ser todos daquelas séries de desenhos animados que passam na televisão e no que diz respeito a esses não conseguimos concorrer com as grandes superfícies, que apresentam preços mais apelativos", explicou João Nascimento, sublinhando que até o negócio com os turistas e emigrantes tem vindo a baixar.
"Ficam as saudades"
"Tudo vai acabando, ficam as saudades", foi com esta frase que Odete Nascimento resumiu décadas de memórias, lembrando que trabalha há quase 60 anos. "Ando nisto desde os meus 14 anos. É muita luta", sublinhou.
Questionada sobre a possibilidade de um dos cinco filhos tomar conta do negócio, a proprietária adiantou que nenhum deles está interessado e nem leva a mal.
"Quando eram mais novos ajudavam no que podiam, mas agora já têm as suas vidas", justificou.João Nascimento acredita que alguém irá continuar e nem precisa de ser necessariamente no mesmo ramo.
"A Casa da Boneca foi inicialmente uma loja de tecidos, mas tinha uma boneca na montra, daí o nome.
A tradição poderá ser mantida", finalizou.

"Clientes" famosos

Pela Casa da Boneca passaram ao longo dos anos diversos "clientes" famosos. Foi das mãos de João e Odete Nascimento que o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, na altura em campanha, recebeu um coelho com uma cenoura.
"Ele percebeu logo que a brincadeira se devia à cor do cabelo dele", referiu Odete Nascimento ao nosso Jornal, recordando ainda as passagens pela loja de Mário Soares, D. Duarte Pio, o antigo ministro Mota Pinto e o cantor Paulo de Carvalho, que faz questão de visitar o casal sempre que está em Viseu.
José Fonseca in Diário Regional de Viseu de 12 de Setembro de 2006
www.diarioregional.pt



Poesia: "Feira de São Mateus"

Luzes de mil cores,
Foguetório e alegria;
Ranchos, artistas, actores,
Realidade e fantasia.

Carrocel que redopia,
Triciclos e bicicletas;
Ali, um vende magia,
Outro rádios e cassetes.

Além, bombons e tabletes
E torrão de Alicante;
E caído nas retretes
Dorme um ébrio delirante…

Um pouco mais adiante,
As barracas de fanqueiro;
Outras de ouro e diamante
Para gente de dinheiro.

Surge agora um pregoeiro
E um vendedor de sorte;
Na mota, um aventureiro,
Gira no poço da morte.

Há fatos de belo corte
E casacos de estola;
Um pobre puto sem norte
Estende a mão à esmola…

Outro compra uma bola,
Aqueloutro um pião;
Além a roleta rola
O sonho e a desilusão.

E no meio da confusão
Do ambiente da feira
Sempre aparece um ladrão
P´ra lhe fanar a carteira…

Artigos de brincadeira
E alto industrializado,
Da colher de cozinheira
Ao tractor e ao arado.

A fome de braço dado
Com fartura e miséria,
Mesclam-se no mesmo fado
Porque feira é féria…

Há também muito léria…
Há caldo verde e vinho,
E até gente séria
Que “cai como um patinho”…

Escondido num cantinho,
Um bêbado “alivia”,
Enquanto ali pertinho,
Outro, indif´rente, comia…

É assim o dia-a-dia
Na Feira de S. Mateus;
Pouco ou nada varia
Nos velhos pergaminhos seus.

Bela feira…Benza-a Deus!,
Que de franca é chamada…
Mas p´ra mal dos pecados meus
Tenho de pagar a entrada…


Poesia de Caetano Carrinho (1996?)

Vista da "nossa" Zona e varandas conhecidas


Fotos "gamadas" do blog Viseu, Senhora da Beira

Alguma bibliografia, editada, do Fernando

"A Gestão do Sector Têxtil da Beira Interior Face aos Novos Instrumentos Financeiros", MILLENIUM nº13, Ano 4,Trimestral, pp. 236-257, revista do Instituto Politécnico de Viseu, Janeiro de 1999. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

“O Futuro e o Comércio Tradicional na Guarda”, Educação e Tecnologia nºXXII, pp.157-166, revista do Instituto Politécnico da Guarda, Julho de 1998, co-autor com Sílvia Castro. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

"Breve Análise à Utilização dos Novos Instrumentos Financeiros Pelas Empresas Têxteis da Beira Interior", Cadernos do Mercado de Valores Mobiliários, nº2, Primeiro Semestre 1998, pp. 65 - 77, revista da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, co-autor com Prof. Doutor João Duque, Junho de 1998. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

“Planeamento, I & D como processo de Aprendizagem e Cognição”, Educação e Tecnologia nºXXI, pp.215-220, revista do Instituto Politécnico da Guarda, Fevereiro de 1998, co-autor com Profª. Manuela Natário e Dra. Ascensão Braga. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

“Coerência e Persistência em Publicidade”, MILLENIUM nº8, Ano 2, pp.198-203 revista do Instituto Politécnico de Viseu, Outubro de 1997. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

“Modelizar para Optimizar a Distribuição de Investimentos”, MILLENIUM nº8, Ano 2, pp.204-214, revista do Instituto Politécnico de Viseu, Outubro de 1997 co-autor com a Profª. Manuela Natário e Dra. Ascensão Braga. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

"O Marketing e a Análise de Dados para a Tomada de Decisões", MILLENIUM nº29, Ano 9, Semestral, pp.168-177, revista do Instituto Politécnico de Viseu, Junho de 2004, co-autor com Profª. Manuela Figueira. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

“Custo Efectivo e o Valor Económico Adicionado nas soluções de Financiamento de Tesouraria das PME’S”, in Temas em Métodos Quantitativos: Perspectivas do Cálculo Financeiro, 2005, ed.s Raul Laureano e Luis Santos, Edições Sílabo, co-autor com Profª. Manuela Figueira. Fernando Augusto Sá Neves dos Santos

Livro de crónicas: Mo(vi)mentos


http://www.rvj.pt/ensino/home.html